Minha vida é movimento.



Dança. Compasso.



Canto.




Minha vida é passo.



Caminho, escuto, recordo.



Encontro e decanto.



Conflito, reflito e traço.



Minha vida é campo



onde lanço, arado.



Onde laço, espanto!



Onde tanto, escasso.



Onde espaço, encanto.



Onde espanto, abraço.







quinta-feira, 10 de junho de 2010

A ARCA DA ALIANÇA

Todos os caminhos do Senhor são amorosos e fiéis para aqueles que guardam a sua aliança e os seus testemunhos. (Sl 25:10)


“Também farão uma arca de madeira de acácia; o seu comprimento será de dois côvados e meio, a sua largura de um côvado e meio, e a sua altura de um côvado e meio.
Cobri-la-ás de ouro puro, por dentro e por fora, e farás sobre ela uma moldura de ouro a seu redor.
Fundirás para ela quatro argolas de ouro,e as porás nos seus quatro cantos, duas argolas de um lado e duas do outro.
Farás varais de madeira de acácia, e os cobrirás com ouro.
Meterás os varais nas argolas, aos lados da arca, para se levar por meio deles a arca.
Os varais permanecerão nas argolas da arca, não se tirarão dela.
Então porás na arca o testemunho, que eu te darei.” (Êxodo 25:10-16)


Após ter recebido os mandamentos de Deus no sopé do monte Sinai, Moisés subiu ao alto, e diz a Bíblia em Ex. 24:15-18 que a Glória do Senhor cobriu o monte com sua nuvem, e Moisés entrou na nuvem e permaneceu nela 40 dias e 40 noites. No alto do monte o Senhor deu a Moisés todas as instruções, detalhadas, acerca da construção do tabernáculo e dos seus objetos, começando pela arca da aliança. A arca foi o primeiro objeto a ser descrito, do que se pode depreender a sua importância para Deus. Ora, a arca era o lugar onde se guardaria as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus (Ex. 31:18). Além disso, também guardaria um vaso de ouro, que continha o maná, símbolo da provisão de Deus no deserto, e figura do pão da vida, Jesus Cristo, e a vara de Arão, figura da autoridade sacerdotal de Jesus.

Havia instruções específicas para o transporte da arca, que deveria ser levada somente pelos levitas, que o Senhor havia escolhido. No capítulo 13 de 1 Crônicas a Bíblia nos descreve como Uzá morreu perante Deus por ter estendido a mão à arca, fazendo-a transportar em um carro de bois.

Em todas essas passagens fica evidente o zelo com que Deus tratava aquela arca.

Qual seria o sentido da Arca da Aliança para nós, cristãos, em 2010? Sabemos que em Jesus uma nova aliança foi feita, e a lei que antes estava escrita em tábuas, passou, por Jesus, a ser inscrita no nosso coração, ou seja, no coração daqueles que creram e se dispuseram a fazer aliança com o Senhor.
“Esta é a aliança que depois daqueles dias farei com a casa de Israel, diz o Senhor. Porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.” (Hebreus 8:10)

Podemos dizer que, pela Nova Aliança, em Jesus, fomos tornados a arca, o receptáculo do testemunho do Senhor. Fomos tornados a tábua viva da aliança feita por Deus com os homens através de Jesus.


“Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?
Se alguém ferir o santuário de Deus, Deus o destruirá; pois o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado.” (1 Co 3:16-17)

A Palavra de Deus nos diz que somos santuário de Deus. A Palavra nos diz que o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens (Atos 7:48). Deus mesmo forjou para si o templo vivo que somos nós. Com seu zelo e cuidados fomos planejados e gerados, numa riqueza de detalhes que somente poderia vir da mente de um Deus tão grandioso. E fomos gerados por Deus para adorá-lo, não apenas com nossas bocas, mas todo o tempo, em espírito e verdade.

Irmãos, somos habitação do Espírito de Deus. Eu sou habitação do Espírito de Deus. Você é habitação do Espírito de Deus. O seu filho é habitação do Espírito de Deus. O seu marido é habitação do Espírito de Deus. A sua esposa é habitação do Espírito de Deus. Temos dado a nós, arcas vivas, o zelo e o cuidado dignos deste Deus? Será que este Deus, que deu instruções tão detalhadas para a construção da arca que guardaria a primeira aliança, aceita menos zelo nos cuidados com a segunda? Com que cuidados temos tratado nossos irmãos, também habitações deste mesmo Espírito?

Nosso Deus é santo. Nosso Deus é misericordioso. Nosso Deus é amoroso. Nosso Deus é benigno. Precisamos clamar a Ele que nos dê condições de levar o Seu Espírito pelos quatro cantos do mundo com a dignidade que a tarefa nos impõe. Precisamos clamar a Ele, para que venha atuar naquilo em que faltamos, nas situações em que nossa carne tem falado mais alto. Sabemos que a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne. Somente o Espírito de Deus pode nos fortalecer para vencermos a nossa natureza tão fraca. Somos arca: feitos de material perecível, mas que revestidos pelo “ouro puro” que é o sangue de Jesus, que selou conosco a nova aliança, somos preparados para guardar Seu testemunho.

Após as instruções para construção da Arca da Aliança, o Senhor instruiu a respeito do tabernáculo, local onde a Arca ficaria abrigada. Nossos lares são hoje esse lugar, onde a Arca da Aliança está. E onde a Arca da Aliança se encontra também a Glória de Deus se manifesta. Nossos lares precisam ser local de proteção, de guarda, de reverência à Glória de Deus. Nossas ações mais naturais devem ser impregnadas da certeza da presença do Senhor. Ele verdadeiramente é Deus conosco, Emanuel, porque habita em nós. Precisamos nos lembrar que todo o tempo, onde estivermos, o Senhor está presente. E isto precisa fazer toda diferença nas nossas vidas.

Que o Senhor nos abençoe e nos guarde, renovando conosco a cada manhã as suas misericórdias, e nos guardando de desprezarmos a santa, doce e amável presença Dele nos nossos corações.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Violencia em Família

A família foi criada para que a especie humana pudesse sobreviver e se perpetuar. Os pais, tal como em espécies irracionais, serviriam não apenas para gerar, mas também para prover as condições necessárias ao crescimento e desenvolvimento de suas crias, até que elas alcançassem autonomia.

Família deveria ser, por definição: lugar de aprendizado, lugar de proteção, lugar de provisão. Casa deveria ser sinonimo de ninho, aconchego, amor.

As estatísticas sobre violencia domestica no Brasil e no mundo são assustadoras. Se pensarmos a família como primeira instancia onde se plasma a identidade de um sujeito, onde ele apreende a realidade externa através da lente particular de seus pais e irmãos, podemos então concluir que a violencia que se expressa na sociedade como um todo certamente tem respaldo, e frequentemente, origem, na cena familiar.

Na família adquirimos o código da linguagem. Com ele, o código da conduta moral, do que "vale" e do que "não vale". No discurso silencioso do comportamento dos pais, aprendemos o que pode ser ou não aceitável no mundo lá fora.

Pensemos: qual a mensagem implícita quando em um momento de conflito entre uma mãe e uma criança de quatro anos o primeiro recurso do qual lançamos mão são algumas palmadas? A resposta é explícita: o território do dominador é marcado pela força física e pelo jugo de um dominado em posição inferior. Palmadas, no entanto, não vêm sozinhas. Costumam se acompanhar por gritos e xingamentos onde aquele que apanha recebe também toda a carga de frustração que naquele momento irrompe do discurso materno/paterno. Passado o momento da "loucura", vêm o choro, confusão, certo arrependimento. Mas a mensagem já foi impressa na mãe/pai, e no filho. No próximo conflito, talvez 5 palmadas não sejam mais suficientes. Na próxima desobediencia, quem sabe usarão o cinto? Ou talvez beliscões, sugigões, puxões de cabelo, torção do braço... ESPANCAMENTO?.

Há quem defenda que o ser humano possui uma tendencia inata à violencia. Talvez herança de comportamentos pré-históricos, onde era preciso força física para caçar a presa. O fato é que com a aquisição da linguagem e do código moral há condutas que precisam ser compreendidas internamente como inaceitáveis. No entanto, esse mesmo código moral, por vezes tão distorcido porque herança cultural, durante séculos vem fornecendo o respaldo para a violencia amordaçada que acontece dentro dos lares, em todo o mundo.

É função dos pais darem educação, direção e proteção. Corrigir um filho é protegê-lo, muitas vezes, dos perigos aos quais ele estará exposto no mundo. Mas a pergunta que formulo é: Quando a correção passa a ser valvula de escape? Quando a correção passa a ser fetiche? Quando a correção passa a ser manifestação de dominação perversa?

É preciso olhar para dentro de nossas casas, com sinceridade. Que tipo de código temos construído nos usos e idiossincrasias de nossas famílias? Que tipo de família temos sido em nossa interação com a sociedade? Que tipo de seres humanos temos lançado no mundo, e para que alvos os lançamos?

Que a violência tão banalizada em nossos dias, seja banida de nossos discursos e vidas, ainda em tempo.

"Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre o seu galardão.
Como flechas na mão de um homem poderoso, assim são os filhos da mocidade." (Salmos 127:4)

terça-feira, 20 de abril de 2010

O rico tolo

LUCAS 12: 15-34

A parábola do rico insensato

“Então lhes disse: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.
E propôs-lhes esta parábola: O campo de um homem rico produziu com abundância. Então ele pensava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher meus frutos.
E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens.
Então direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos. Descansa, come, bebe e folga.
Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma. Então o que tens preparado para quem será?
Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.
Disse Jesus a seus discípulos:
Portanto vos digo: Não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis.
Mais é a vida que o sustento, e o corpo mais do que as vestes...
...
Vendei o que tendes, e daí esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam, tesouro nos céus que nunca acabe, onde o ladrão não chega e a traça não consome.
Pois onde estiver o vosso tesouro, aí também estará o vosso coração.”


Certa vez ouvi de uma grande pregadora: a Bíblia quer dizer o que ela diz. Não é preciso interpretar acrescentando palavras, pois Jesus Cristo foi claro em seus ensinos. Pois bem: quando Ele contou esta parábola aos seus discípulos, o que queria ensinar?

A estória trata de um fazendeiro, que com o seu trabalho ajuntou grandes riquezas. Tantas que já não poderiam se guardar nos celeiros que tinha, e ele pensava consigo mesmo em fazer celeiros maiores, para comportar os bens que havia acumulado. Deixando nossa imaginação correr, podemos ver esse homem assentado na varanda da fazenda, admirando suas plantações, mas preocupado em guardar seus lucros, em proteger seus ganhos. Talvez esse homem não tivesse ainda se tocado do quanto esta vida é efêmera, e do quanto o que se acumula aqui também o é.

Quantas famílias vemos onde os pais trabalharam duro, saíram de situações de vida muitas vezes precárias, suaram, construíram verdadeiros impérios, mas quando se vão os filhos não conseguem manter esses impérios nem por uma geração sequer. São muitos casos assim. Certo é que há também aqueles que aprendem a cuidar e a gerir bem a herança, e conseguem se manter por longos anos. Mas há tantos e tantos casos de brigas familiares, intrigas, discórdias, até mortes por causa de heranças.

O que Jesus queria ensinar? Durante todo o seu tempo como homem no mundo, Jesus ensinou que há um reino que não é desse mundo. Ele é o Senhor desse reino, que é o reino de Deus. Que esse reino não consiste em comida nem bebida, mas em comunhão com o Pai. Que nossas vidas são eternas, e podemos escolher entre viver eternamente com Deus ou sem Deus. Que o Pai é misericórdia e amor, mas é também justiça. E que haverá um dia em que daremos contas a Ele de tudo o que dissemos, tudo o que fizemos, todo bem e todo mal. Neste dia, aqueles que tiverem aceitado a dádiva da salvação através de Jesus Cristo, serão poupados e passarão à vida eterna com o Pai. Aqueles que o rejeitaram, não terão parte com ele, e a estes está destinado perecer eternamente com o Diabo e seus anjos.

“Quando o Filho do Homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com Ele, então se assentará no trono da sua glória. Todas as nações se reunirão diante dele, e ele apartará uns dos outros, como o pastor aparta os bodes das ovelhas. Ele porá as ovelhas à sua direita, e os bodes à sua esquerda....
...Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: APARTAI-VOS DE MIM, MALDITOS, PARA O FOGO ETERNO, PREPARADO PARA O DIABO E SEUS ANJOS.” (Mateus 25:31-41)


Lenda? Certamente que não. Palavras duras demais? Muitos as consideraram assim, e por isso vem perecendo em morte eterna. Mas a verdade é que tudo isto está escrito, e como todas as profecias, também se cumprirá.

A Palavra de Deus nos diz que no dia em que o Senhor Jesus voltar a este mundo, em toda a sua glória, “todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Ele é o Senhor”, mas que nesse dia haverá choro e ranger de dentes para aqueles que O rejeitaram.
“E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz. Pelo que Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo nome, para que AO NOME DE JESUS SE DOBRE TODO JOELHO DOS QUE ESTÃO NOS CÉUS, NA TERRA E DEBAIXO DA TERRA, E TODA LÍNGUA CONFESSE QUE CRISTO JESUS É O SENHOR, PARA GLÓRIA DE DEUS PAI.” (Filipenses 2:8-11)

Voltando à estória do fazendeiro: aquele homem não gastava seu tempo com o reino de Deus. Ele vivia como se pudesse passar a eternidade usufruindo dos bens que conseguira acumular. Não há nenhum problema em ser abençoado por Deus com bens materiais, trabalhando honestamente. Mas Jesus nos alerta, através dessa estória, sobre o grande problema de colocarmos o nosso coração nas coisas deste mundo, e nos esquecermos de que estamos aqui de passagem, e por pouco tempo. Ainda que vivamos 100 anos, é pouco tempo diante da eternidade. Quando nos formos daqui, nada levaremos. Apenas a nossa aliança com o Senhor, se a tivermos feito em vida, ou a nossa separação eterna Dele.

A Bíblia é clara em afirmar: “ aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo depois disso o juízo.” (Hebreus 9:27).

Portanto, a doutrina da reencarnação, de acordo com a Bíblia, é mentirosa. Na verdade, serve para nos distrair da necessidade de tomarmos as decisões certas no tempo certo. Quando satanás engana dizendo que podemos vir muitas vezes a este mundo, ele leva o homem a adiar a decisão mais importante da sua vida para um tempo que não existirá depois.

Aquele homem não considerou que importa mais ajuntar tesouros no reino de Deus. E então, quando o dia de sua morte chegou, ele já não podia mais buscá-lo.

Essa é a mensagem, essa é a Palavra: “BUSCAI ANTES O REINO DE DEUS, E TODAS ESSAS COISAS VOS SERÃO ACRESCENTADAS” (Lucas 12:31).

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O Pão e os Peixes

Não é o cálice de bênção, que abençoamos, a comunhão do sangue de Cristo? E não é o pão que partimos a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, pois todos participamos do mesmo pão. (1 Co 10: 16-17)
Em um documentário sobre animais marinhos observei a incrível formação de cardumes de pequenos peixes. Ao serem vistos de longe, assemelham-se a um grande peixe, e com isso conseguem despistar alguns predadores. O documentário afirmava que o indivíduo que se afasta do cardume terá pouca chance de sobreviver.
Insiste em minha mente a idéia de corpo. O cardume que se assemelha a um só corpo, mas que na verdade é feito de vários corpos. O corpo coletivo que garante proteção aos indivíduos reunidos.
Penso no corpo de Jesus Cristo. Esse corpo que para cumprir seu chamado aceita esfacelar-se, derramar-se, dizimar-se. “ O seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até o chão” (Lc 22:44). Sangue derramado e Pão da Vida. Corpo partido para a salvação de todos os que dEle se alimentam. Sangue pelo qual indivíduos são remidos.
Penso no corpo de Cristo. Igreja reunida, noiva que se cola ao seu Senhor: “Quem é esta que sobe do deserto, e vem encostada ao seu amado? ... ali esteve com dores aquela que te deu à luz” (Cântico dos Cânticos: 7:5). Igreja é corpo nascido com dores, e dores de cruz. Corpo instituído pela morte e remido pela ressurreição do seu Senhor. Corpo cardume, que desfaz o indivíduo em massa sinuosa cruzando unida os violentos mares. Corpo que chora os que se perdem, porque serão devorados.
O Pão e os Peixes. Símbolos de Cristo e sua Igreja. Pão que se multiplica, se reparte, sobra, divide, subtrai e torna a somar. Pão que se dá a comer, alimenta peixes para a vida eterna. Peixes que se protegem na companhia de seus pares e ganham a estatura do seu Senhor.
Seja sempre a nossa páscoa. Plena do Pão da Vida, Palavra Viva, Verbo Encarnado e protegida pelo Amor, que nos une em cardume, e para si nos guarda.

“Põe-me como um selo sobre o teu coração, como selo em teu braço, porque o amor é forte como a morte... As muitas águas não poderiam apagar este amor, nem os rios afogá-lo. ...” (O Cântico dos Cânticos: 7:6-7)

domingo, 21 de março de 2010

Caça às bruxas

Aqueles escritos queimei!
Ah, me doía o coração reler...
Até o estômago.
Eram tão viscerais as letras,
falavam de mim por dentro.
Queimá-las assim uma a uma
lembrou-me a inquisição.
Foi fumaça e fogo consumindo
Lentamente
Até o último fio.

domingo, 14 de março de 2010

PORNOGRAFIA - UM LAMENTO

Mais uma vez, a pornografia. Mais uma vez, o sexo fácil, descompromissado. Mais uma vez, fotografias de mulheres em posições e situações as mais variadas. Para que? Para onde? O que seria satisfatório no ato?


A promessa é de muito, muito prazer. A promessa é de prazer sem limites, porque não tem lastro no real. A promessa é de descomprometimento total, porque é solitário, sigiloso, silencioso. Qual será o prazer em compartilhar, via net, fotografias pornográficas? Qual o lugar da vida real?


Aos homens e mulheres, gostaria de perguntar: e se fossem as suas filhas, expostas ao prazer masturbatório de pessoas de todo tipo, para serem violadas em sua intimidade, de todas as formas. Qual seria o seu prazer?


Preciso denunciar, não posso me calar mais. Vejo famílias sendo destruídas. Vejo um movimento assustador devorando pelas beiradas a possibilidade de vida feliz de tantas famílias. Vejo mulheres desesperadas, lutando por seus maridos, tentando construir uma vida a dois, sem saber que na verdade ali, onde deveriam haver dois, existem 3, 4, quem saberá? São falanges virtuais.


Meu coração hoje está consternado. Constrangido. Violado.


A violação dos corpos que foram planejados pra abrigar um Espírito, pra ser veículos de expressão desse Espírito no mundo, que foram feitos fontes de prazer amoroso entre os que se amam e constroem uma vida juntos me entristece.


Tenho muita pena da imensa solidão do ser humano. Das mulheres e homens das fotos, das mulheres e homens que gastam o tempo precioso e limitado que têm nesse mundo alimentando esse circo de horrores. Tenho muita pena das mulheres que se oferecem, sem ou com remuneração, ao sexo rápido e fácil. Tenho muita pena das mulheres que amam seus maridos e os vêem trocar no mundo virtual o prazer que deveria ser compartilhado entre dois.


O mundo se diverte! Enquanto isso, muitas crianças são violentadas dentro de suas casas por seus pais, seus tios, seus padrastos. Enquanto isso, muitas meninas em todo o mundo são vendidas pelos pais e mães para acolherem o prazer de homens que se divertem com elas. Enquanto isso, muitos morrem de Aids. Enquanto isso, muitos clamam desesperadamente para que a minoria que tem acesso à informação, à internet, aos computadores, olhe para esse mundo miserável e faça alguma coisa.


Infelizmente, grande parte da humanidade prefere se "divertir" um pouco mais na disney perversa da pornografia.


Tiro os olhos desse mundo, e busco o olhar do meu Deus. Clamo que tenha misericórdia de nós, seres humanos. Que toque os corações, que retire as escamas dos olhos, que nos dê a chance de um coração regenerado, para que possa valer a pena o presente sagrado da vida que nos foi dada viver.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Sobre o Amor

Engraçada essa coisa do amor... a gente ama as pessoas, a vida anda, o amor fica guardadinho em algum lugar do nosso coração. De vez em quando a gente se lembra, e guarda de novo. Mas, hora dessas, o amor aparece inteirinho, de tamanho e intensidade! E então a gente sabe que o amor não se desgasta, não se desfaz, não se corrompe.
A dor sim. A dor doída de um tempo, depois é poeira e vento. Por isso, para a dor: AMOR.
Junto com o tempo, que combate perdas, lutos, e lamentos, o Amor é o remédio para todo mal de alma. Experimente buscar, nos autos de sua memória, cenas do amor vivido. O coração palpitando ou o olhar de aconchego. Amor de mãe, amor de amigo, amor de chamego. Toda memória de amor valha-nos nessa hora. Seja a tinta e a pena, pra escrever outra história.