Minha vida é movimento.



Dança. Compasso.



Canto.




Minha vida é passo.



Caminho, escuto, recordo.



Encontro e decanto.



Conflito, reflito e traço.



Minha vida é campo



onde lanço, arado.



Onde laço, espanto!



Onde tanto, escasso.



Onde espaço, encanto.



Onde espanto, abraço.







sexta-feira, 12 de março de 2010

Sobre o Amor

Engraçada essa coisa do amor... a gente ama as pessoas, a vida anda, o amor fica guardadinho em algum lugar do nosso coração. De vez em quando a gente se lembra, e guarda de novo. Mas, hora dessas, o amor aparece inteirinho, de tamanho e intensidade! E então a gente sabe que o amor não se desgasta, não se desfaz, não se corrompe.
A dor sim. A dor doída de um tempo, depois é poeira e vento. Por isso, para a dor: AMOR.
Junto com o tempo, que combate perdas, lutos, e lamentos, o Amor é o remédio para todo mal de alma. Experimente buscar, nos autos de sua memória, cenas do amor vivido. O coração palpitando ou o olhar de aconchego. Amor de mãe, amor de amigo, amor de chamego. Toda memória de amor valha-nos nessa hora. Seja a tinta e a pena, pra escrever outra história.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Nada se Perderá

E, quando já estavam fartos, disse Jesus aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca. (Jo 6:12)

Esse fragmento do Evangelho de Jesus Cristo segundo João faz referência ao grande milagre da multiplicação dos Pães e dos Peixes, onde Jesus, a partir do pouco que um garoto possuía – cinco pães e dois peixinhos – alimentou uma multidão de seguidores.

Esta passagem nos lembra o quanto é importante dispormos para Deus do que temos, ainda que aos nossos olhos seja muito pouco, pois Ele em seu poder se encarregará de multiplicar e tornar abundante.

Há, no entanto, neste versículo 12, uma particularidade que de maneira especial tocou meu coração. Neste versículo, o Senhor Jesus, dono de todo poder, dá uma ordem: “Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca.”
É uma ordem que nos diz da economia de Deus. Na matemática divina, nada, absolutamente nada se perderá, porque Ele é Aquele capaz de transformar cinco pães e dois peixinhos em alimento suficiente para alimentar uma multidão; Ele é aquele capaz de encher odres com água e transformá-la no mais precioso vinho; Ele é aquele capaz de suscitar das rochas a água, de enviar fogo dos céus, de perdoar multidão de pecados.

Aos pecadores, o Senhor perdoa e ordena: vá e não peques mais. No entanto, a história vivida por cada pecador, poderá ser transformada de tal maneira pelo Senhor, pois Ele é o oleiro que faz do barro quebrado um vaso novo.
Transporto-me para o processo de reciclagem do vidro: os cacos de vidro encontrados nas lixeiras são recolhidos, triturados, passam por processos de lavagem para que todo material que não seja vidro e esteja aderido ao mesmo seja retirado, e finalmente são levados aos fornos de temperaturas elevadíssimas, onde se transformam numa massa informe incandescente. A fabricação artesanal do vidro se dá através do sopro que o artesão imprime sobre esta massa, formando as mais lindas formas e cores. Quanto mais coloridos os pedaços de vidro para reciclagem, mais lindas e coloridas serão as peças resultantes desse processo.

Quando ouço, em João 6:12, a ordem do Senhor: ”Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca”, penso nas inúmeras vezes em que, na minha vida, olhei em volta e tudo o que vi foram cacos. Quantas e quantas vezes meu coração esteve quebrado, desfeito pelas decepções, tristezas, frustrações com o outro, comigo mesma. Quantas pessoas tenho visto, nas conversações terapêuticas, completamente esfaceladas, aparentemente destruídas.

Mas o Senhor nos ordena recolher todos os pedaços que sobraram. Pelas Suas mãos estes cacos não serão colados grosseiramente, mas serão inteiramente transformados em matéria nova. Ele poderá nos triturar, nos colocar em altos fornos, mas descansemos em saber que resultaremos únicos e originais, antigos cacos que agora refeitos receberão da boca do Criador o sopro vivificante do Seu Espírito.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O SONHO DO SAPO BOI QUE COMEU O ESCORPIAO

Nesta noite acordei assustada! Sonhei que limpava um velho oratório de minha mãe, quando dele saiu um escorpião muito grande! Ele andava por cima de uma mesa, quando, de repente, voou! Que loucura, um escorpião já é bicho peçonhento, um escorpião que voa é absolutamente incontrolável! Nos porões da minha mente, velho oratório, tem de tudo: pequenas baratas, aranhas, escorpião que voa!
Em pânico olhava pr´aquela cena quando o escorpião pousou e veio andando em minha direção!

De perto da minha sombra, saiu então um sapo boi obeso, muito grande mesmo, com uma pele verde escuro, manchas marrons e aquela aparencia viscosa característica dos anfíbios... Em marcha lenta, foi se aproximando do escorpião... O peçonhento veio com seu rabo venenoso em posição de bote! Mas qual não foi a surpresa quando o sapo abriu sua bocarra e NHACT! Engoliu o escorpião de uma vez!
Ah, que delícia! A vingança do sapo!
Acordei com o coração batendo forte... Abri a janela e pude ver o sol que ameaçava nascer enquanto as estrelas ainda brilhavam no céu azul escuro... A constelação de escorpião e sua cauda brilhante...

Então entendi: em boca de sapo, escorpião não ri! Dentro de mim mora um sapo obeso que ainda que lento é capaz de engolir inteiros os escorpiões gigantes que não me deixam dormir!

Numa livraria, ainda a descoberta: Uma estória de Rubem Alves, que transcrevo agora, que diz que em costas de sapo, escorpião não mora!

Um dia a floresta pegou fogo. E incêndio não tem medo de rabo de escorpião. Só havia um jeito de fugir da morte: era atravessando o rio, para o outro lado. Os bichos que sabiam nadar pulavam na água, levando seus amigos nas costas. Mas o escorpião nem tinha amigos, nem sabia nadar. E não havia ninguém que se arriscasse a oferecer-lhe carona.
O escorpião, então, valentia e coragem sumidas ante o fogo que se aproximava, foi forçado a se humilhar. Dirigiu-se com voz mansa à rã, que se preparava para a travessia.
-Por favor, me leve nas suas costas - ele disse.
-Eu não sou louca. Sei muito bem o que você faz a todos que se aproximam de você - replicou a rã.
-Mas, veja- argumentou o escorpião- eu não posso picá-la com o meu ferrão. Se o fizesse, você morreria, afundaria, e eu junto, pois não sei nadar.
A rã ponderou que o raciocínio estava certo. Podia ser que o escorpião fosse muito feroz, mas não podia ser burro. Todo mundo ama a vida. O escorpião não podia ser diferente. Ele não iria matar, sabendo que assim se mataria... E, como tinha bom coração, resolveu fazer esta boa ação. -Muito bem. -disse a rã ao escorpião. -Suba nas minhas costas. Vou salvar sua vida...
O escorpião se encheu de alegria, subiu nas costas lisas da rã e começaram a travessia.
Que coisa -ele pensou- é a primeira vez que me encosto em alguém de corpo inteiro. Antes era só o ferrão... E até que não é ruim. O corpo da rã é bem maciozinho...
Enquanto isso, a rã ia dando suas braçadas tranqüilas, nado de peito, deslizando sobre a superfície. -E como é gostoso navegar- continuou o escorpião , nos seus pensamentos. - estes borrifos de água , como são gostosos. É bom ter a rã como amiga...
Estavam bem no meio do rio. O escorpião olhou para trás e viu a floresta em chamas. -Se não fosse a rã, eu estaria morto neste momento. E um estranho sentimento, desconhecido, encheu seu coração: gratidão. Nem sempre veneno e ferrão são a melhor solução. A vida estava com a rã, macia e inofensiva que não inspirava medo em ninguém... Sentiu seu corpo descontrair-se. Achou que a vida era boa... Era bom poder baixar a guarda e descansar.
Voltou-se de novo para trás, para olhar a floresta incendiada. Mas, ao fazer isto, viu-se refletido, corpo inteiro, na água do rio que brilhava à luz do fogo. E o que viu o horrorizou: seu rabo, dantes ereto, agora dobrado, desarmado. Escorpião de rabo mole... Todos ririam dele. E sentiu um ódio profundo da rã.
-Espelho, espelho meu, existe bicho mais terrível que eu? A resposta estava naquele rabo mole, refletido no espelho da água. E a única culpada era a rã...
Sem um outro pensamento, enrijeceu o rabo e o enfiou nas costas da rã.
A rã morreu. E, com ela, o escorpião.

*O mundo precisa de mais rãs e menos escorpiões*"

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

AGRADECER

Gratidão: Reconhecimento por um bem que nos foi feito.


“Cheguemo-nos pois com confiança ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno” (Hb 4:16)

<>“Esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que lhe pedimos, sabemos que já alcançamos os pedidos que lhe fizemos.” (1 Jo: 5:14-15)


Quando somos pequenos, nossos pais nos ensinam as famosas palavrinhas “mágicas”: por favor, e obrigado. Aprendemos que são “mágicas” porque levam as pessoas a fazerem com alegria algo que precisamos.


O Senhor nosso Pai, em sua Palavra, também nos ensina sobre como devemos pedir, e sobre a necessidade de agradecer. Diz que devemos continuamente nos colocar diante Dele, com petições e ação de graças. Não porque Ele seja um ser orgulhoso, que aceita bajulações. Mas porque Ele sabe que agradecer é um exercício de dependência. É um exercício de reconhecimento de que não há em nós nada que pudesse merecer o seu favor, mas que tudo o que recebemos é porque Ele nos ama, e quer o melhor para nós.


Nosso Pai nos ensina a agradecer, porque Ele sabe que um coração cheio de gratidão estará também cheio de misericórdia e sensibilidade pelas necessidades do outro. Um coração grato nos prepara para cumprir a totalidade dos seus mandamentos, reunidos por Jesus em dois: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao Próximo como a mim mesmo.
Se nos achegamos a Deus reconhecendo que somente a Ele devemos gratidão pelo bem que nos tem feito, exercitamos o nosso amor. Se temos um coração verdadeiramente grato, nos tornamos fonte de águas para aquele que perto de nós tem sede. Cantarmos a benignidade do Senhor, louvarmos o Senhor no meio da congregação, anunciarmos as suas boas obras... Alegrarmo-nos com os que se alegram... E juntos atribuirmos a vida abundante que temos à infinita misericórdia do Nosso Senhor. Esta é a razão do nosso viver.


Um coração cheio de gratidão, nos leva à obediência. Não precisamos obedecer porque somos obrigados, mas porque amamos nosso Pai. Queremos obedecê-lo. Queremos com nosso desejo de obediência agradar a um Pai que move céus e terras para nos abençoar. Sejamos como terra bem adubada, onde as sementes são plantadas e regadas. Em gratidão, ela nos dá o seu fruto.


Sejamos então gratos, e de todos sejam conhecidos os motivos da nossa alegria. Ofereçamos a Deus os frutos da nossa gratidão, frutos de conversão verdadeira.

Possamos cantar como Maria, quando recebeu do Espírito Santo, através de sua prima Isabel, essas palavras: “Bem aventurada a que creu que se cumprirão as coisas que da parte do Senhor lhe foram ditas” (Lc 1:45) Bem aventurados somos nós, porque cremos que já tem se cumprido nas nossas vidas todas as coisas que desde o princípio nos foram anunciadas da parte do Senhor.


“ A nossa alma engrandece ao Senhor, e o nosso espírito se alegra em Deus nosso Salvador, pois olhou para a humildade dos seus servos.
Desde agora todas as gerações nos chamarão bem-aventurados, pois grandes coisas nos fez o Poderoso.
Santo é o seu nome. A sua misericórdia é de geração em geração sobre os que o temem.
Com o seu braço agiu valorosamente; dispersou os que no coração alimentavam pensamentos soberbos.
Depôs dos tronos os poderosos, e elevou os humildes.
Encheu de bens os famintos, e despediu vazios os ricos.
Auxiliou a Israel, seu servo, recordando-se da sua misericórdia
Para com Abraão e a sua descendência, para sempre.” (Lc 1:46 - adaptado)



quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Deixando o Barco

“ Andando Jesus junto ao mar da Galiléia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, os quais lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.Imediatamente eles deixaram as redes, e o seguiram.Indo um pouco mais longe, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. Estavam num barco em companhia de seu pai Zebedeu, consertando as redes. Jesus os chamou, e eles, deixando o barco e seu pai, imediatamente o seguiram.” (Mt: 4:18-22)

DEIXANDO O BARCO
O que é o barco na vida de um pescador? Quase tudo. Numa comunidade fundada sobre o ofício da pesca, o barco significa a única chance de subsistência. Companheiro de noites e dias no mar, veículo para se obter o alimento, sobre o qual muitas horas são gastas, navegando e fazendo manutenção, construindo, melhorando. O amigo que aguarda, solitário, atracado, até o momento de partir novamente com seus pares, de ser conduzido ao trabalho.
A narrativa de Mateus nos conta que Jesus andava junto ao mar, quando viu dois irmãos trabalhando. Bastou um chamado do Mestre e eles imediatamente deixaram as redes, e O seguiram. Mais a frente, a cena se repete, agora com os filhos de Zebedeu, que consertavam as redes para a pesca. Ao chamado de Jesus, eles deixam imediatamente o barco e seu pai, e O seguem.
Posso imaginar Zebedeu. Um homem de meia idade, que contava com a força e juventude dos filhos para ajudá-lo no ofício. Filhos que desde bem pequenos deviam ter sido ensinados por ele a saírem com o barco, manejá-lo, a lançar redes, consertá-las, a amarem o barco e seu ofício. Imagino um Zebedeu atônito, sentindo-se abandonado, traído, preterido por alguém que eles nem sequer conheciam. Imagino Zebedeu com as redes nas mãos, chorando e lamentando a partida dos filhos queridos. “Como puderam abandonar-me?” “Logo agora, que estou velho e preciso deles?” “O que farei?” . Imagino o barco, agora vazio, atracado junto as margens do mar da Galiléia. O barco vazio, símbolo de uma vida deixada para trás. Com ele ficaram as estórias, os anseios da velha vida, o que restou dos pescadores de peixes.
Os pescadores, agora de homens, seguiam não mais os sinais das ondas, mas os passos do Mestre. Quando navegavam, emprestavam seus saberes ao capitão do barco, o Senhor Jesus. Não mais estavam ao sabor das águas, mas fluíam na direção das águas do Pai.
A cada homem ou mulher chamado por Jesus pertence um barco. Um universo tão conhecido, amado, construído de memórias e desejos, suor, risos e lágrimas. Amigos, familiares, carreiras, estudos, sonhos. O mesmo Jesus, andando pelo mundo através do Seu Espírito, nos viu junto ao mar e nos chamou: “Venham, venham após mim... venham ser engenheiros do reino, arquitetos de vidas, psicólogos, artesãos, pastores, lavradores, ceifeiros, ouvintes, médicos, professores, dentistas, artistas, cantores, ...,trabalhem, trabalhem para mim. Deixem os “barcos” que vocês conhecem tão bem, e sigam-me.
Ah! Que doce voz nos chama! E quão duro pode ser para nós esse chamado. Não, não fomos chamados para permanecermos no barco, fomos chamados para deixá-lo. No caminho convertido, pisando em terra firme, seguindo as pegadas de Jesus, choramos. Choramos a saudade daqueles que ficaram. Choramos a rejeição daqueles que nos amavam, mas agora, porque não podemos mais estar no barco, nos lançam pedras. Choramos quando vemos ao longe as velas dos barquinhos que se enfileiram no horizonte, alheios à nossa saudade. Choramos quando cheios de alegria queremos voltar contando que belas coisas temos aprendido, mas as portas que antes se abriam agora estão fechadas para nós.
Choramos, porque perdemos prestígio, posição. Choramos porque perdemos amigos. Choramos porque perdemos o aconchego daqueles que mais amamos. Choramos porque podemos ser destituídos de muitas coisas que cultivamos durante uma vida.
No caminho convertido, o “si mesmo” perde espaço para ganhar em pertencimento do Corpo. Enterramos lugares, músicas, pessoas, lembranças. Quando Jesus chama, não é possível trazer conosco toda a parafernalha do velho homem. Até porque, a passagem é estreita, e se trouxermos coisas desnecessárias não poderemos passar.
“ Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração” diz o texto de Hebreus (Hb 4:7b). É possível ouvirmos a doce voz que nos chama, e não atendermos ao chamado. O jovem rico, diante do chamado de Jesus, entristeceu-se, e voltou para o seu mundo de coisas materiais. Seu velho e conhecido `barco`. Mas, para nós, que ouvimos e aceitamos segui-lo, é mister deixamos muito para trás.
Entendamos, no entanto, que ao deixar o barco, é preciso viver o luto. Pode ser que os apóstolos de Jesus, chamados à beira do mar da Galiléia, tenham chorado em algum momento. Isso não fez deles menos capacitados a se tornarem os homens em quem foram tornados. Chorar o que morreu, chorar o que enterramos, faz parte do processo de recomeçar. Chorar para então, ao haver rasgado nossas vestes e, derramado muitas lágrimas, levantarmo-nos, de vestes novas e ungidos com o Espírito, e caminharmos pelo mundo convidando outros como nós a deixarem os seus barcos pelo cais.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

PARA FAZER UM ANO NOVO

“Acautelai-vos por vós mesmos, para que não aconteça que os vossos corações se sobrecarreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e aquele dia vos pegue de surpresa, como uma armadilha..” (Lucas 21: 34)

A passagem do ano nos coloca simbolicamente diante da dimensão de um novo tempo, onde poderemos inaugurar uma nova forma de viver. Frente ao novo ano, corajosamente riscamos aquilo que não queremos mais em nossas vidas. Velhos hábitos, velhos medos, relacionamentos que não nos fazem bem.

Como diante de um caderno novo, escrevemos com letra caprichada os projetos para o ano que vai começar.

Se tivéssemos a real dimensão da provisoriedade da vida, e das coisas desse mundo, todos os dias seriam como 31 de dezembro. Se tomássemos a palavra de Jesus em Lucas 21 como realidade à qual não escaparemos, assumiríamos uma posição vigilante e alerta.

A Palavra de Deus nos chama: “Desperta, oh tu que dormes!” ( Ef 5: 14). Vivemos como se o Ano Aceitável do Senhor ainda fosse apenas uma promessa, de algo que virá quem sabe um dia...

Tomo então a liberdade de propor neste primeiro de janeiro um tempo realmente novo! Um tempo que para nós, cristãos, seja de revisão verdadeira daquilo que trazemos secretamente no nosso coração. Um tempo em que possamos nos despojar das cargas desnecessárias, e tomar sobre nós apenas o jugo daquele que nos chamou à Ele.

Em Mateus 15:19 podemos ouvir de Jesus: “Pois do coração procedem maus pensamentos, assassínio, adultério, prostituição, furto, falso testemunho, blasfêmia.”

Preocupamo-nos tanto em consertar o que é externo, gastamos tanta energia para manter as aparências, e nos esquecemos de que do nosso coração procedem as saídas da vida. Se nosso coração estiver sobrecarregado, a via por onde poderão jorrar águas vivas estará impedida. Cabe então perguntar:

DE QUE ESTÁ SOBRECARREGADO O MEU CORAÇÃO?

  • Os “cuidados da vida” tem tomado muito espaço em minha vida?
  • Quais são as raízes de amargura que tem brotado e tomado corpo como ervas daninhas em meu coração?
  • Em que “poltronas” confortáveis tenho me acomodado para dormir, quando o Senhor me chama para despertar? Aqui não falo de dormir no sentido concreto, mas refiro-me a um certo adiamento que nos permitimos quando se trata de promover mudança em nossa vida...
  • Quais os temores que tem me impedido de exercitar o projeto de Deus a meu respeito? Que tipo de vaidades estão por trás das minhas ações?
  • O quanto realmente tenho investido de mim no relacionamento com as pessoas que me foram confiadas para amar?
  • Quais são as minhas prioridades?
  • Como anda minha capacidade de perdoar a mediocridade que vejo no outro e em mim mesmo? O quanto tenho conseguido exercer daquilo em que creio?
  • Que tipo de couraça tenho vestido, para impedir que meu irmão verdadeiramente tenha comunhão comigo?
  • E, finalmente, o quanto estou disposto a ouvir o que Deus quer me dizer em 2010?

Que possamos fazer uma reflexão sincera e amorosa de nós mesmos nesta passagem de ano. E que nosso Deus que é Grande e Misericordioso, nos console em nossa fraqueza, e nos fortaleça em virtude e graça!

Que 2010 seja um ano de sinceridade, e de um novo coração, para todos nós.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O convite do meu Pai

"POIS EU SEI OS PLANOS QUE TENHO PARA VÓS, DIZ O SENHOR, PLANOS DE PAZ, E NÃO DE MAL, PARA VOS DAR UMA ESPERANÇA E UM FUTURO. ENTÃO ME INVOCAREIS, E IREIS, E ORAREIS A MIM, E EU VOS OUVIREI. BUSCAR-ME-EIS, E ME ACHAREIS QUANDO ME BUSCARDES DE TODO O VOSSO CORAÇÃO." (Jr 29:11-13)

Hoje o meu Pai me chamou. Do seu jardim, Ele gentilmente convidou-me a andar em Sua presença, lado a lado, mãos dadas. Ele me garantiu que estará comigo; olhou nos meus olhos e eu pude ver que era verdade.

Fechei os olhos e contei o palpitar do meu coração, como num jogo de pique. Antes mesmo que eu chegasse ao dez, Ele apareceu! Não precisei correr para o pique e chamá-lo, Ele cantou o meu nome, dizendo:

- Não é você minha filha preciosa? Filha das minhas delícias? (Jr 31:20)

Sim, Pai. Sou eu. Eu me reconheço nesse nome: filha preciosa.

Deixo pra você um presente: os rabiscos que fiz até hoje, enquanto pensava projetar minha própria vida. Eles me pareciam lindos, mas são garatujas comparadas ao seu traço firme e perfeito. Contudo, eu sei que você os aceita. O seu coração de pai não desprezaria os rabiscos que foram o melhor de mim até esse dia.

Mas agora, Pai, eu quero receber o rolo onde estão os seus projetos sobre mim. Porque como o lápis do arquiteto, não sei para onde ir sem a sua mão.

Sim, Pai. Eu quero dançar com você a valsa de todos os meus anos, porque, afinal, foi você quem compôs a melodia. Os arranjos também são seus. Quero pisar sobre os seus pés e deixar-me levar por eles, olhos fechados, me guiando pelo som da sua respiração. Rosto colado ao seu coração!

Deixo para trás toda a inquietação de quando me achava só. Eu fazia tanto barulho para espantar a solidão! Agora posso ficar em silêncio, porque sei que você está comigo. E quando eu falar, quero ouvir da sua boca as palavras que você sonhou ouvir de mim. Aprender de você cada palavra!

Sim, Pai. Eu aceito esse amor que diz: Com amor eterno te amei; com benignidade te atraí. (Jr 31:3b). Abro os meus braços, me enlaço ao seu pescoço, e plena de confiança e carinhos te digo: Vamos Papai, leva-me por onde os seus sonhos me quiserem lançar.

Porque a minha esperança está em ti, e o meu futuro é dado, a cada dia, por ti.

Sim, Pai. O meu coração agora bate em compasso com o seu. E quando o escuto palpitando, ele diz: te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo...