Embora já esteja subindo a colina dos “enta”, os dias que antecedem meu aniversário são sempre especiais. A criança em mim desperta em expectativas doces e lembranças de bolo, velas e parabéns.
Celebrar aniversários é comemorar a dádiva da vida! Afinal, se cheguei até aqui e porque muitos milagres aconteceram. O milagre de ter sido gerada, única, no ventre da minha mãe. O milagre de muitos livramentos, que me permitiram viver todos esses anos. O milagre do crescimento forte, saudável. Viver é um milagre! Não é incrível que as minhas impressões digitais sejam diferentes de qualquer outro ser humano? Isso me lembra que as marcas que as minhas mãos farão no barro deste mundo serão feitas somente por elas, o que me torna ainda mais responsável pelas escolhas que faço pelo caminho... Mas isso é uma outra história.
O fato que quero contar é este:
Dia desses, recebo um telefonema desinteressado de uma amiga convidando para comermos uma pizza. Ah, me pegou de surpresa, o caixa anda baixo, penso que não posso ir. Então ela me tranqüiliza e diz: “ –Não se preocupe, eu tenho um crédito na pizzaria, vamos.”
Com um certo constrangimento, aceitei. Rumamos então, no dia marcado, para o restaurante. Chegando lá, surpresa! A coisa era combinada, e havia uma “cúmplice” me esperando com um lindo bolo e velas incandescentes, verdadeiros fogos de artifício!
Ah, que delícia! A criança em mim batia palmas e se alegrava. Olhei por alguns segundos maravilhada, para o singelo bolo cor de rosa e suas velas esfuziantes. Seguiram-se pizza, refrigerantes, batatas fritas, risadas, confidências... Momentos maravilhosos que não têm preço.
Opa, não têm preço? Mas como assim? Meu coração começava a ficar apertado, ia chegando a hora da conta. Eu realmente estava desprevenida e nós havíamos nos divertido muito e comido bastante. Como eu não ajudaria a pagar? Quando o garçom chegou com a conta, disfarçadamente dei uma olhada no valor. Tinha ficado caro. De imediato saquei o que tinha na carteira e comecei um embate com minhas anfitriãs: não era justo que pagassem tudo, eu também deveria ajudar, e tome esta nota, e etc, etc,...
Para acabar com a cena, minha amiga olhou-me nos olhos, amorosamente e disse:
“-Querida, para você queremos o melhor, e nós já pagamos.”
Era tudo mesmo de graça para mim.
Em tudo isso o Espírito Santo de Deus me ensinava:
O que é a Graça de Deus dispensada sobre nós, senão isto? Quem de nós poderia pagar a conta da queda espiritual da humanidade? Nossos recursos são sempre parcos diante do preço das nossas vidas. Estamos sempre desprevenidos.
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”(Jo 3:16)
Ele pagou a conta. Ele podia pagar. Ele é Todo-Poderoso. Ele não contava com os meus trocadinhos. Nem com os seus. Ele é o dono do banco. Ele é Amor.
Ele me ama, e de presente me diz:
- Filha, toma a tua vida eterna. Eu te dou, porque te amo. Você não mereceu. Você não podia pagar. Eu já paguei para você. Agora venha, coma e beba comigo. E se alegre, se regozije no meu amor. Porque o Amor, filha, sou Eu.
“Amai-vos ardentemente uns aos outros de coração, tendo sido regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela Palavra de Deus, a qual vive e é permanente.
Pois: Toda a carne é como a erva, e toda a glória do homem como a flor da erva. Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a Palavra do Senhor permanece para sempre. (1 Pe 1: 22-24)
Minha vida é movimento.
Dança. Compasso.
Canto.
Minha vida é passo.
Caminho, escuto, recordo.
Encontro e decanto.
Conflito, reflito e traço.
Minha vida é campo
onde lanço, arado.
Onde laço, espanto!
Onde tanto, escasso.
Onde espaço, encanto.
Onde espanto, abraço.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
CHAMADOS PARA QUÊ?

Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.
E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção.(Gn 12:1-2)
CHAMADOS PARA QUÊ?
Maria Beatriz Versiani
Estou convencida de que se a Bíblia ainda estivesse sendo escrita a minha história estaria por lá. Não porque eu seja alguém cuja história mereça registro, mas porque a Bíblia está repleta de histórias de gente, assim, como eu e você. Talvez eu fosse apenas mais uma na multidão que seguia Jesus, e ainda assim estaria lá, testemunhando Seu Ministério. Talvez eu fosse alguém como Marta, como Zaqueu, como Raabe.
O fato é que a cada tempo de minha vida sou levada a olhar-me no espelho bíblico. Ali, vejo-me estampada nas multifacetadas histórias de pessoas que se deixaram levar pela fé, se permitiram caminhar em desconhecidas e estreitas veredas. Hoje, pela manhã, vejo-me refletida em Abrão.
Abrão, futuro Abraão. O pai da fé. Alguém que nos ensina com sua história o que significa ter fé. Num dado momento de sua existência, já maduro, Deus, o Senhor, o chama. E oferece a ele trocar a estabilidade do conhecido por uma aventura rumo a um lugar que ele não conhece.
Como fez com Abrão, o Senhor também nos chama em alguns momentos: Sai do seu conforto, do que você já conhece e vai para um lugar que você ainda não sabe, mas eu te mostrarei... Ah! Quanta fé se exige nesse pedido!
É incrível como podemos nos apegar com facilidade a objetos, pessoas e situações. E surpreendente como fazemos destes nossos postes-ídolos. Ficamos presos, circulando em torno deles.
Winnicott, psicanalista de crianças, já nos falava dos objetos transicionais. A pequena criança, tomada pelo desamparo causado por sua separação da mãe, trata de eleger um objeto, que passa a funcionar como substituto simbólico da ausência da mãe, e com o qual ela se consola e conforta. Daí que vemos os pequenos andando pela casa arrastando um cobertorzinho que nunca pode ser lavado, ou uma boneca encardida e puxada pelos cabelos, ou uma chupeta que serve para cheirar na hora de dormir. Quem se lembra do Linus, personagem das tirinhas de Shultz, que nunca se separava de seu cobertorzinho? O objeto transicional funciona para aplacar a ansiedade da criança de sentir-se só. Como está sempre ao alcance das suas mãos, o objeto falseia o pavor causado pela falta. É esperado, no entanto, que o objeto transicional seja gradativamente desinvestido do afeto da criança, para que ela possa investir esse afeto em outras áreas, e, assim, cresça.
Se a criança resiste em deixar os objetos transicionais, haja negociação e choro em casa. Que pai ou mãe não teve que agüentar noites e noites de choro por ter convencido o pequeno a jogar a chupeta no telhado?
Pois bem, somos assim. Criamos raízes com facilidade, porque necessitamos estar referidos por um mediador nas nossas relações. Daí que nos apegamos ao lugar onde vivemos, à empresa em que trabalhamos, aos bens que conseguimos amealhar. Andamos colados a eles, sem perceber que são objetos, que jamais poderão substituir a Presença Daquele que nos gerou.
Mas há sempre dias em que Ele, vendo que precisamos crescer, nos chama. Como fez com Abrão, faz também comigo e com você, caro leitor.
O Senhor diz: sai do lugar do seu conforto, do seu mundo conhecido, e vai para um lugar que eu te mostrarei. Esse convite desestabiliza. Como Pai amoroso, Ele tira nosso apoio para que possamos nos mover.
O resultado do convite feito à Abrão se traduz em verbo, em ação. Nos versos seguintes no capítulo 12 de Genesis diz-se que Abrão partiu, saiu, moveu-se.
Em meio à sua peregrinação, Abrão aprende que seu único lugar de apego deve ser o altar edificado ao Senhor. Ele edifica altares ao Senhor, e invoca o Seu Nome. Destituído de seus lugares de apoio, Abrão clama pelo Pai, o que o gerou.
Hoje, pela manhã, cinco horas. Pressinto um tempo de desapegar-me. Precisarei deixar meu cobertorzinho, meu ursinho de pelúcia, minha chupeta. Meu Pai está me chamando para crescer. Ele me estende as mãos, olha para mim, e me diz para ir a Ele, confiante.
Eu, criança maravilhada pela presença do Pai, deixo cair o objeto. E vou, em direção a Ele, pela fé. Meu andar não tem a segurança dos que já cresceram. Mas estou bem certa de que Ele virá a mim se eu der os primeiros passos. Por isso, edifico um altar, e invoco o Seu Nome:
- Pai, paizinho, toma-me pela mão e guia-me pelos caminhos que ainda não vi, mas que tu já conheces. Irei contigo, porque confio em Ti.
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sábado, 14 de maio de 2011
Familia e a Formação da Identidade - Aprendendo com o Patinho Feio
A fábula de Hans Cristian Andersen, o Patinho Feio, nos coloca diante de questões que remetem à história familiar: o sonho do filho perfeito, a ansiedade da espera, o reconhecimento e a legitimação do olhar da mãe sobre a identidade e o lugar de um filho na familia. A ferida narcísica, o enfrentamento do casal diante do filho problema, o esforço da mãe para adequá-lo e o consequente abandono frente à pressão social que se faz em torno da diferença apontada pela aparência do patinho. Como diz o ditado: Filho feio não tem mãe.
Daí, partimos para uma viagem em busca da identidade daquele que foi rejeitado. Aventurando-se pelas mais diversas tribos, vai o patinho feio em sua busca de saber de si.Adere a outros grupos, e é sempre inadequado. Finalmente, para sua sorte e salvação, encontra um grupo de semelhantes generoso o suficiente para acolhê-lo e ampará-lo em seu crescimento e devir.
O relato bíblico nos traz, na cosmogonia judaico-cristã, o que se segue:
“ Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra.
Assim Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.
Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra, e sujeitai-a”. (Gn 1:27-28)
No livro dos começos, o Genesis, nos é dado conhecer como Deus criou nosso planeta e tudo o que nele existe. Podemos aprender sobre o sonho de Deus para sua criação, e como tudo foi sendo feito e nomeado por Ele. Homem e Mulher, disse Ele, feitos à sua imagem e semelhança.
Vai dentro de nós, não uma programação rígida, inequívoca, mas um mapa. Mapa onde podemos encontrar a marca referencial de quem somos, e a nossa direção.
Deus criou homem e mulher, disse para se unirem, crescerem,frutificarem. Deu a esta entidade casal o poder de, com Ele, gerar uma família. E deu ao par fundamental a tarefa de perpetuar a base para formação da identidade daqueles que viriam depois.
Para tanto, os abençoou, a partir de um lugar de poder e autoridade. Esta autoridade, foi, pela bênção do Supremo Criador, repassada ao primeiro homem. Diz a Bíblia: "Macho e fêmea os criou; e os abençoou, e chamou o seu nome Adão, no dia em que foram criados. E Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme à sua imagem, e chamou o seu nome Sete." (Gn 5:2-3)
Deus dá nome a Adão. Adão dá nome a Sete. E vamos ao longo de milênios nomeando nossos filhos. Com os nomes, imprimimos neles também nosso legado, a herança que passamos adiante. A identidade de um filho começa a ser forjada naquilo que ele é falado e se legitima no seio da família.
Um bebê que chega é falado, antes que fale. É nomeado, tem lugar na casa. Ou não. O não reconhecimento do filho, a não legitimação da sua individualidade, pode reproduzir a história do patinho feio, condenado a andar por aí perguntando, afinal, quem ele é.
Há uma ordem que nos torna capazes de nomear nossos filhos. Esta parte do fato de termos nós mesmos recebido um nome, e sermos reconhecidos por ele, e nos reconhecermos nele.Na medida em que nos integramos ao nosso nome e sobrenome, tomamos o nosso lugar na história.
Podemos então, de um lugar reconhecido, seguro, frutificar e nomear. Nossos filhos poderão reconhecer em nós a segurança dos nomes que recebem, e, confiantes, partirem para sua jornada, não mais em busca de perguntarem a todos quem são, mas de re-significarem o nome e o legado que receberam de nós.
Eu Sou o que Sou, diz o Senhor Deus. Ele Se nomeia, com segurança. Olhando para Ele, podemos seguir confiantes e criativos a nossa trajetória.
Não, nós não somos pequenos deuses. Mas como Seus filhos, podemos olhar para Ele e prosseguirmos adiante. Assim, façamos à semelhança Dele. Nossos filhos não são a reprodução de nós mesmos. Mas devem poder olhar para nós, à medida em que constroem seus próprios caminhos, com a segurança de que a imagem e o legado que transmitimos, seguirão com eles para sempre.
A história do Patinho Feio poderia ter sido diferente. Talvez ele tivesse sido um filho muito interessante naquela família de patos. Na convivencia com ele, seus pais e irmãos poderiam ter aprendido coisas que não sabiam... Talvez ele pudesse ter sido chamado por outro nome, menos depreciativo. Mas essa não seria a mesma história... Quem quiser, que conte outra!
Daí, partimos para uma viagem em busca da identidade daquele que foi rejeitado. Aventurando-se pelas mais diversas tribos, vai o patinho feio em sua busca de saber de si.Adere a outros grupos, e é sempre inadequado. Finalmente, para sua sorte e salvação, encontra um grupo de semelhantes generoso o suficiente para acolhê-lo e ampará-lo em seu crescimento e devir.
O relato bíblico nos traz, na cosmogonia judaico-cristã, o que se segue:
“ Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra.
Assim Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.
Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra, e sujeitai-a”. (Gn 1:27-28)
No livro dos começos, o Genesis, nos é dado conhecer como Deus criou nosso planeta e tudo o que nele existe. Podemos aprender sobre o sonho de Deus para sua criação, e como tudo foi sendo feito e nomeado por Ele. Homem e Mulher, disse Ele, feitos à sua imagem e semelhança.
Vai dentro de nós, não uma programação rígida, inequívoca, mas um mapa. Mapa onde podemos encontrar a marca referencial de quem somos, e a nossa direção.
Deus criou homem e mulher, disse para se unirem, crescerem,frutificarem. Deu a esta entidade casal o poder de, com Ele, gerar uma família. E deu ao par fundamental a tarefa de perpetuar a base para formação da identidade daqueles que viriam depois.
Para tanto, os abençoou, a partir de um lugar de poder e autoridade. Esta autoridade, foi, pela bênção do Supremo Criador, repassada ao primeiro homem. Diz a Bíblia: "Macho e fêmea os criou; e os abençoou, e chamou o seu nome Adão, no dia em que foram criados. E Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme à sua imagem, e chamou o seu nome Sete." (Gn 5:2-3)
Deus dá nome a Adão. Adão dá nome a Sete. E vamos ao longo de milênios nomeando nossos filhos. Com os nomes, imprimimos neles também nosso legado, a herança que passamos adiante. A identidade de um filho começa a ser forjada naquilo que ele é falado e se legitima no seio da família.
Um bebê que chega é falado, antes que fale. É nomeado, tem lugar na casa. Ou não. O não reconhecimento do filho, a não legitimação da sua individualidade, pode reproduzir a história do patinho feio, condenado a andar por aí perguntando, afinal, quem ele é.
Há uma ordem que nos torna capazes de nomear nossos filhos. Esta parte do fato de termos nós mesmos recebido um nome, e sermos reconhecidos por ele, e nos reconhecermos nele.Na medida em que nos integramos ao nosso nome e sobrenome, tomamos o nosso lugar na história.
Podemos então, de um lugar reconhecido, seguro, frutificar e nomear. Nossos filhos poderão reconhecer em nós a segurança dos nomes que recebem, e, confiantes, partirem para sua jornada, não mais em busca de perguntarem a todos quem são, mas de re-significarem o nome e o legado que receberam de nós.
Eu Sou o que Sou, diz o Senhor Deus. Ele Se nomeia, com segurança. Olhando para Ele, podemos seguir confiantes e criativos a nossa trajetória.
Não, nós não somos pequenos deuses. Mas como Seus filhos, podemos olhar para Ele e prosseguirmos adiante. Assim, façamos à semelhança Dele. Nossos filhos não são a reprodução de nós mesmos. Mas devem poder olhar para nós, à medida em que constroem seus próprios caminhos, com a segurança de que a imagem e o legado que transmitimos, seguirão com eles para sempre.
A história do Patinho Feio poderia ter sido diferente. Talvez ele tivesse sido um filho muito interessante naquela família de patos. Na convivencia com ele, seus pais e irmãos poderiam ter aprendido coisas que não sabiam... Talvez ele pudesse ter sido chamado por outro nome, menos depreciativo. Mas essa não seria a mesma história... Quem quiser, que conte outra!
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quarta-feira, 13 de abril de 2011
sexta-feira, 1 de abril de 2011
PAI, MÃE, CONSOLADOR

- Aiiii! Manhêêê!!!
A mãe larga o almoço no fogo e sai correndo em busca da filha:
- O que foi dessa vez menina?
- Mãe, cortei meu dedo, olha! - E lá vem a menina segurando o dedo mindinho como se fosse cair da mão.
A mãe examina com cuidado e lupa o cortezinho minúsculo que nem sequer está sangrando. Sopra, dá um beijinho, afaga a cabeça da menina de 9 anos, que agora está crescendo muito e vive trombando nas paredes e portas. A menina sai correndo – reconhecida em sua dor – e já nem se lembra mais o porque de tanto grito!
As mães são assim: consoladoras. Quando nos machucamos, cá estão elas, prontas para lavar o machucado: - Vai doer, mas tem que lavar, senão infecciona. O coração delas arde enquanto, fingindo calma, parecem não ligar para nossa dor.
O coração delas queima quando não temos amigos na escola, quando fracassamos na prova de geografia, quando, na adolescência, ensaiamos nossos primeiros passos nas pistas do amor... E pode mesmo se rasgar quando num belo almoço de domingo entramos em casa com um príncipe encantado . Em seu olhar maternal, antevêem o Sapo, e todos os sapos que provavelmente nos ajudarão a engolir enquanto trocam as fronhas de nossos travesseiros encharcados .
As mães não dormem. Por causa do choro do bebê, por causa da pesquisa de escola, ou aguardando nas madrugadas a chegada do filho pródigo. E quando ele chega, podem até mesmo fingir alguma indiferença para afinal não deixá-los pensarem-se assim tão importantes.
Descanso de mãe madura? Cuidar dos netos! E dá-lhe menino pulando e subindo, e televisão, e chocolate, e mexida na cozinha... Assim são as mães da minha memória.
Dia desses acordei pensando nisto, e talvez por ver já próximo o dia das mães, tive um daqueles pensamentos malucos que de repente acendem uma luzinha na cabeça: NÃO É QUE O DEUS QUE CONHEÇO SE PARECE MUITÍSSIMO COM UMA MÃE? DEUS É MÃE!!!! AHNN??? DEUS É MÃE?
Espantada com o que sou capaz de pensar, corro para a Bíblia para fugir desta heresia, e encontro assim:
“Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo de suas asas, mas vocês não quiseram.” (Mateus 23:37)
“Pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti”. (Isaias 49:15)
“Não é Efraim para mim um filho precioso, criança das minhas delícias? Porque depois que falo contra ele, ainda me lembro dele solicitamente; por isso me comovem por ele as minhas entranhas; deveras me compadecerei dele, diz o Senhor”.(Jr 31:20)
Quanta ternura de mãe nestas palavras. Deus é Deus. É Pai, é Filho e é Espírito Santo. Mas um de seus nomes, El Shaday, nos convida a adorá-lo em sua face de Todo-Poderoso, e também daquele que nutre, que amamenta. Em hebraico: El=Deus, Shadd= seios. A terra prometida para onde Israel é conduzido por Ele, é terra que mana leite e mel.
O seio é o primeiro objeto que a criança busca no corpo da mãe. Ele garante a vida, a sobrevivência, mas também o prazer e o aconchego. Assim é El Shaday: Aquele que é Todo-Poderoso, completo, que nutre, que cobre com suas asas, como vemos no Salmo 91.
É por isto que no mês da mães, usufruindo da presença do Deus que é Pai e também mãe, nutridor e consolador, posso dizer, com o salmista:
“Senhor, o meu coração não é soberbo
nem os meus olhos são altivos;
não me ocupo de assuntos grandes e maravilhosos demais para mim.
Pelo contrário, tenho feito acalmar e sossegar a minha alma;
qual criança desmamada sobre o seio de sua mãe,
qual criança desmamada está a minha alma para comigo.
Espera, ó Israel, no Senhor, desde agora e para sempre.” (Salmo 131)
quarta-feira, 23 de março de 2011
EU SOU DO MEU AMADO E O MEU AMADO É MEU
“Ouço a voz do meu amado; ei-lo que vem saltando sobre os montes, pulando sobre os outeiros. O meu amado é semelhante ao gamo, ou ao filho da gazela.
Olhai, ele está detrás da nossa parede, olhando pelas janelas, lançando os olhos pelas grades.
O meu amado fala e me diz:
Levanta-te amada minha, e vem. Vê! Já passou o inverno; e as chuvas já cessaram, e se foram. Aparecem as flores na terra; o tempo de cantar chegou, e a voz das rolas ouve-se em nossa terra. A figueira já deu os seus figos, e as vides em flor exalam o seu aroma.
Levanta-te amada minha, formosa minha e vem.
Pomba minha, que andas pelas fendas das penhas, no oculto das ladeiras, mostra-me a tua face, faze-me ouvir a tua voz, pois a tua voz é doce, e o teu rosto formoso.
Apanhai-me as raposinhas, que fazem mal às vinhas, as nossas vinhas que estão em flor.
O meu amado é meu, e eu sou dele.” (Ct: 2: 8-16 a)
Que doce é a voz do meu amado! Pode ser como a voz de muitas águas, ou um sussurro que somente eu consigo ouvir. Semelhante ao grito dos apaixonados, que escrevem os nomes de suas amadas nas pedras, em faixas e gritam o seu amor em praça pública, ou aos bilhetes secretos e cartas de amor seladas.
Que delícia é o seu convite: - Vem querida minha e vê, existem flores, é tempo de cantar, os aromas são suaves e o meu jardim te espera em perfume e flor. Vem comer comigo os figos, e as uvas que tenho plantado para ti!
O meu amado quer me ver, ele ama o meu rosto e a minha voz. O meu amado não se cansa de ver a minha face. O meu amado quer ouvir a minha voz, ah! Ele diz que favos de mel manam dos meus lábios! Doce é para Ele ouvir as palavras de amor que fluem da minha boca.
O meu amado desceu aos seus jardins, para se alimentar e para colher os lírios. Os jardins do meu amado são a Terra inteira, a Terra é o estrado dos seus pés. Os lírios são flores preciosas, semelhantes ao Lírio dos Vales... eu sou como o lírio, semelhante a Ele. Ele saiu do Seu trono, e desceu aos Seus jardins, para colher-me, e levar-me com Ele.
O Nome do meu amado é como ungüento derramado. Ele não mediu esforços para vir ter comigo. Comprou para mim vida abundante e eterna, com preço mais alto que todo ouro e prata do mundo. O meu amado me comprou com o seu próprio sangue, que derramou publicamente, por mim. Escreveu com o seu sangue o meu nome, e gravou sua carta de amor em meu coração.
Chamou-me jardim fechado e fonte selada. Assim me guardou, para que eu fosse fonte dos jardins, poço das águas vivas.
Eu sou do meu amado, e Ele me tem afeição. Assim Ele descreve o Seu amor:
“As muitas águas não poderiam apagar este amor, nem os rios afogá-lo. Ainda que alguém desse todos os bens da sua casa por este amor, seria de todo desprezado. “
O amor com que Ele me ama é perene e indestrutível. E Ele me convida a aceitar sua aliança, como sinal de que sou Dele:
“Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço.”
O meu amado é fiel, a sua fidelidade e o seu amor jamais serão destruídos. Ainda que eu tentasse me esconder dEle, Ele me veria, pois Ele é aquele que olha por detrás de minhas paredes, pelas grades que construí ao longo da vida. Ele me sempre vê. Ele espera por mim a cada manhã, para que nos Seus jardins eu dê a Ele o meu amor.
Você já descobriu, quem é o meu amado?
O Seu nome é Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz.
O nome do meu amado é JESUS DE NAZARÉ.
(Trechos bíblicos extraídos do Livro de Cantares)
Olhai, ele está detrás da nossa parede, olhando pelas janelas, lançando os olhos pelas grades.
O meu amado fala e me diz:
Levanta-te amada minha, e vem. Vê! Já passou o inverno; e as chuvas já cessaram, e se foram. Aparecem as flores na terra; o tempo de cantar chegou, e a voz das rolas ouve-se em nossa terra. A figueira já deu os seus figos, e as vides em flor exalam o seu aroma.
Levanta-te amada minha, formosa minha e vem.
Pomba minha, que andas pelas fendas das penhas, no oculto das ladeiras, mostra-me a tua face, faze-me ouvir a tua voz, pois a tua voz é doce, e o teu rosto formoso.
Apanhai-me as raposinhas, que fazem mal às vinhas, as nossas vinhas que estão em flor.
O meu amado é meu, e eu sou dele.” (Ct: 2: 8-16 a)
Que doce é a voz do meu amado! Pode ser como a voz de muitas águas, ou um sussurro que somente eu consigo ouvir. Semelhante ao grito dos apaixonados, que escrevem os nomes de suas amadas nas pedras, em faixas e gritam o seu amor em praça pública, ou aos bilhetes secretos e cartas de amor seladas.
Que delícia é o seu convite: - Vem querida minha e vê, existem flores, é tempo de cantar, os aromas são suaves e o meu jardim te espera em perfume e flor. Vem comer comigo os figos, e as uvas que tenho plantado para ti!
O meu amado quer me ver, ele ama o meu rosto e a minha voz. O meu amado não se cansa de ver a minha face. O meu amado quer ouvir a minha voz, ah! Ele diz que favos de mel manam dos meus lábios! Doce é para Ele ouvir as palavras de amor que fluem da minha boca.
O meu amado desceu aos seus jardins, para se alimentar e para colher os lírios. Os jardins do meu amado são a Terra inteira, a Terra é o estrado dos seus pés. Os lírios são flores preciosas, semelhantes ao Lírio dos Vales... eu sou como o lírio, semelhante a Ele. Ele saiu do Seu trono, e desceu aos Seus jardins, para colher-me, e levar-me com Ele.
O Nome do meu amado é como ungüento derramado. Ele não mediu esforços para vir ter comigo. Comprou para mim vida abundante e eterna, com preço mais alto que todo ouro e prata do mundo. O meu amado me comprou com o seu próprio sangue, que derramou publicamente, por mim. Escreveu com o seu sangue o meu nome, e gravou sua carta de amor em meu coração.
Chamou-me jardim fechado e fonte selada. Assim me guardou, para que eu fosse fonte dos jardins, poço das águas vivas.
Eu sou do meu amado, e Ele me tem afeição. Assim Ele descreve o Seu amor:
“As muitas águas não poderiam apagar este amor, nem os rios afogá-lo. Ainda que alguém desse todos os bens da sua casa por este amor, seria de todo desprezado. “
O amor com que Ele me ama é perene e indestrutível. E Ele me convida a aceitar sua aliança, como sinal de que sou Dele:
“Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço.”
O meu amado é fiel, a sua fidelidade e o seu amor jamais serão destruídos. Ainda que eu tentasse me esconder dEle, Ele me veria, pois Ele é aquele que olha por detrás de minhas paredes, pelas grades que construí ao longo da vida. Ele me sempre vê. Ele espera por mim a cada manhã, para que nos Seus jardins eu dê a Ele o meu amor.
Você já descobriu, quem é o meu amado?
O Seu nome é Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz.
O nome do meu amado é JESUS DE NAZARÉ.
(Trechos bíblicos extraídos do Livro de Cantares)
sábado, 12 de fevereiro de 2011
´Pérolas
Pérola de José Saramago:
"Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu fizeram-no de carne e sangra todo dia."
(José Saramago)
"Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu fizeram-no de carne e sangra todo dia."
(José Saramago)
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