Minha vida é movimento.
Dança. Compasso.
Canto.
Minha vida é passo.
Caminho, escuto, recordo.
Encontro e decanto.
Conflito, reflito e traço.
Minha vida é campo
onde lanço, arado.
Onde laço, espanto!
Onde tanto, escasso.
Onde espaço, encanto.
Onde espanto, abraço.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Quanto vale a nossa herança?
Maria Beatriz Versiani
“Compra a verdade e não a vendas; sim, a sabedoria, e a disciplina e a prudência.” (Pv 23:23)
Convido-lhe a me acompanhar por uma viagem a três momentos na vida de três homens: Esaú, Judas e Jesus Cristo. Todos eles judeus, herdeiros da filiação prometida a Abrão. Todos eles conhecedores da Verdade sobre Deus e seus planos para a humanidade.
Comecemos pelo descrito no Livro de Genesis, capítulo 25, versos 27 a 34:
“E cresceram os meninos. E Esaú foi varão perito na caça, varão do campo; mas Jacó era varão simples, habitando em tendas.
E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó.
E Jacó cozera um guisado; e veio Esaú do campo e estava ele cansado. E disse Esaú a Jacó:
- Deixa-me, peço-te, comer deste guisado vermelho, porque estou cansado. Por isso se chamou o seu nome Edom.
Então disse Jacó:
- Vende-me, hoje, a tua primogenitura.
E disse Esaú:
- Eis que estou a ponto de morrer, e para que me servirá logo a primogenitura?
Então disse Jacó:
- Jura-me hoje.
E jurou-lhe. E vendeu a sua primogenitura a Jacó. E Jacó deu pão a Esaú e o guisado de lentilhas; e ele comeu, e bebeu, e levantou-se, e foi-se. Assim desprezou Esaú sua primogenitura. “
O direito à primogenitura era também o direito a parte melhor da herança, ao poder, a receber a continuidade do lugar do pai na família.
Esaú vendeu seu direito a este lugar, recebido por Deus - pois havia nascido primeiro do que Jacó - por um bocado de guisado. A satisfação de uma necessidade corriqueira retirou dele o direito a um lugar vitalício. Esaú estava cansado. Fragilizado pela fome. Naquele momento não atentou para o alcance futuro da troca que fazia. A proposta de Jacó, cujo nome significa Enganador, era tentadora: um prato de guisado a alguém que está cansado e faminto. Esaú não resistiu, e perdeu.
Passemos agora ao Evangelho de Mateus 26, versos 14 a 16:
“Então um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi falar com os chefes dos sacerdotes. Ele disse:
- Quanto vocês me pagam para eu lhes entregar Jesus?
E eles lhe pagaram trinta moedas de prata.
E daí em diante Judas ficou procurando uma oportunidade para entregar Jesus.”
Eram dias difíceis. O Mestre idealizado por Judas como um grande e vitorioso líder político, se mostrava fragilizado pela realidade da cruz que o aguardava. Dois dias antes Ele havia avisado aos seus doze discípulos sobre a sua aparente derrota na cruz do calvário.
Judas estava, provavelmente, desanimado. Seu ideal revolucionário se esvaziava ante a perspectiva daquele final. Não era o final da história que ele havia sonhado. No evangelho de Lucas, capítulo 22, a Bíblia nos informa de que “entrou Satanás em Judas”, antes que ele O entregasse aos principais dos sacerdotes. O enganador surgiu no momento da fragilidade, e acenou com 30 moedas para alguém que gostava de dinheiro. E Judas perdeu. A Bíblia diz que depois de tudo, arrependido, tendo perdido a dimensão do amor do Pai, ele se precipitou sobre a morte, extinguindo sua própria vida.
Chegamos ao relato sobre outro homem: Jesus de Nazaré. Após ser reconhecido notoriamente pelo Pai, como filho amado, no batismo das águas de João, a Bíblia nos diz, no evangelho de Lucas, capítulo 4, que Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto:
“E quarenta dias foi tentado pelo diabo, e, naqueles dias, não comeu coisa alguma, e, terminados eles, teve fome. (grifo meu) E disse-lhe o diabo:
- Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão.”
Jesus Cristo, homem, é o Filho de Deus. O tentador se aproximou da sua fragilidade humana, a fome, após quarenta dias sem se alimentar. Seu corpo estava fraco. Talvez suas mãos e pernas estivessem tremulas, talvez estivesse sem conseguir andar. Seu corpo de homem pedia comida e repouso. Mas, o Espírito Santo Nele, Aquele que o havia conduzido ao deserto – nos ensinando nesta passagem que muitas vezes o Espírito nos conduzirá a lugares áridos e de privação para provar o nosso desejo fiel de permanecer na presença Dele – esse Espírito conduziu sua resposta:
“E Jesus lhe respondeu, dizendo:
- Escrito está que nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra de Deus.”
Ah, a Palavra. Essa que permite o escape nas provações e tentações. Essa que poderia ter conduzido Esaú a caminhar mais um pouco suportando sua fome, e não negociar a primogenitura. Essa que poderia ter garantido a Judas que todos os sinais evidenciavam um Reino estabelecido, não segundo a ordem deste mundo, mas segundo a vontade do Pai.
A Palavra, vivificada no homem Jesus pelo Espírito Santo, foi o instrumento capaz de impedi-lo de sequer negociar com o enganador, o pai da mentira, o príncipe deste mundo.
Disponho-me a pensar sobre estes três relatos e no quanto de cada um deles há em mim. Quantas vezes cheguei, cansada e faminta a pensar que um bocado de “lentilhas” fosse mais importante que minha condição de filha amada do pai. Em quantas situações me vi prestes a vender a cobertura do meu Senhor por um punhado de moedas.
O que são guisado e moedas para mim hoje? Festas? Companhia dos velhos amigos e hábitos? Consumismo? Arrogância? Necessidade de aplausos e reconhecimento?
Eu tenho permitido que o Espírito Santo me conduza à Palavra diante das tentações? Ou tenho ficado com o gozo instantâneo e efêmero que o enganador me oferece?
Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Seu inimigo também. Não nos enganemos quanto a disposição do maligno em atacar o corpo do Senhor. Estejamos saciados pela Palavra, e enriquecidos na presença do Espírito, para que, havendo fome e necessidade, não aceitemos a comida e as moedas do maligno, mas nos alimentemos do Pão da Vida, do Verbo Encarnado, da Palavra de Deus.
“Portanto, nós também, pois, que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta, olhando para JESUS, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.
Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos.
...
E ninguém seja fornicador ou profano, como Esaú, que por um manjar, vendeu o seu direito de primogenitura. Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a benção foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que, com lágrimas, o buscou.
...
Pelo que, tendo recebido um Reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente com reverencia e piedade; porque o nosso Deus é um fogo consumidor.”
(Hb: 12: 1-3; 16-17; 28-29)
terça-feira, 24 de julho de 2012
Se a sua língua te faz pecar
Maria Beatriz Versiani
“No dia seguinte, quando saíram de Betania, teve fome. E, vendo de longe uma figueira com folhas, foi ver se nela, porventura, acharia alguma coisa. Aproximando-se dela, nada achou, senão folhas; porque não era tempo de figos. Então lhe disse Jesus : Nunca jamais alguém coma fruto de ti! E seus discípulos ouviram isto.
...
E passando eles pela manhã, viram que a figueira secara desde a raiz. Então Pedro, lembrando-se falou: Mestre eis que a figueira que amaldiçoaste secou. Ao que Jesus lhes disse: Tende fé em Deus; porque em verdade vos afirmo que se alguém disser a este monte: ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele.” (Mc 11: 13-14; 20-23)
A palavra é o meio pelo qual Deus criou todas as coisas. No livro de Genesis (Começos), capítulo 1 podemos ler: “E disse Deus”, muitas vezes, antecedendo o verbo Haver: “Disse Deus: haja luz, e houve luz” (Gn 1:3).
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dEle, e, sem Ele, nada do que foi feito se fez.” (Jo 1:1-3)
Partindo desse ponto, somos convidados a pensar: ao intitular o próprio Deus Encarnado de Verbo, o que nos ensinam as escrituras? Ele, aquele que detém todo o poder, é Verbo, é Palavra da Verdade (Tg 1:18). Através da Palavra, do dizer, tudo o que foi feito se fez. A natureza, os céus, a terra, a luz, os homens - imagem e semelhança de Deus.
Aos homens também foi conferido o dom de falar. Depreendemos da passagem do evangelho de Marcos que também a nós foi outorgado poder através das palavras que dizemos. Por isso, oramos em alta voz. Nós ouvimos e Deus ouve.
Interessante. A passagem da figueira nos conta que os discípulos ouviram o que Jesus disse à figueira. E que Pedro se lembrou do que havia sido dito. Então o que falamos será lembrado pelos que escutam.
Pelas palavras temos poder para abençoar e para amaldiçoar. Alguém que ouviu muitas vezes durante a infância que é uma peste, uma praga, que atrasa a vida dos pais, provavelmente crescerá acreditando nisso. E talvez venha mesmo a ser uma peste,uma praga, confirmando, por um mover inconsciente, essas “maldições familiares”.
Como temos usado nossa língua? Na família, com nossos cônjuges, com nossos filhos. Como a temos usado conosco mesmos? Será que temos gerado em torno de nós palavras de fé e esperança, ou palavras de desanimo e destruição?
Temos louvado, agradecido o que recebemos, ou temos nos queixado daquilo que não nos foi dado? Na primeira carta de Paulo aos Coríntios ele nos relata de como Deus não se agradou do seu povo, razão pela qual ficaram prostrados no deserto. Os motivos? Idolatria, imoralidade, murmuração.
O que temos gerado em nosso meio, através do que dizemos, tem sido bênçãos ou maldições? A maledicência pode destruir vidas, como nos afirma Tiago:
“Ora, a língua é fogo; é mundo de iniqüidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno.” (Tg 3:6)
Vivemos num mundo em que as notícias se espalham rapidamente. Pela internet publica-se qualquer coisa, verdades ou mentiras. E dá-lhe processos judiciais para responder a calunias publicas. Mas não só na mídia notícias sobre outrem podem ser devastadoras. Vemos isso na igreja, no trabalho, na escola. Vemos isso nas famílias. Maldizer alguém é lançar fogo sobre a sua vida.
Daí a nossa responsabilidade sobre o que dizemos. Da próxima vez que você perceber que a sua língua vai te fazer pecar, corte-a fora! Não, não estou sugerindo uma auto-mutilação. Cortá-la fora é uma metáfora para dizer: escolha não falar. Fique em silencio, promova a paz, e quando falar seja para edificar vidas e não para destruir.
“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para a edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem.
Não entristeçais o Espírito de Deus, para o quel fostes selados para o dia da Redenção.” (Ef 4:29-30)
As Três Peneiras de Sócrates
Um homem foi ao encontro de Sócrates levando ao filósofo uma informação que julgava de seu interesse:
- Quero contar-te uma coisa a respeito de um amigo teu!
- Espera um momento – disse Sócrates – Antes de contar-me, quero saber se fizeste passar essa informação pelas três peneiras.
- Três peneiras? Que queres dizer?
- Vamos peneirar aquilo que quer me dizer. Devemos sempre usar as três peneiras. Se não as conheces, presta bem atenção. A primeira é a peneira da VERDADE. Tens certeza de que isso que queres dizer-me é verdade?
- Bem, foi o que ouvi outros contarem. Não sei exatamente se é verdade.
- A segunda peneira é a da BONDADE. Com certeza, deves ter passado a informação pela peneira da bondade. Ou não?
Envergonhado, o homem respondeu:
- Devo confessar que não.
- A terceira peneira é a da UTILIDADE. Pensaste bem se é útil o que vieste falar a respeito do meu amigo?
- Útil? Na verdade, não.
- Então, disse-lhe o sábio, se o que queres contar-me não é verdadeiro, nem bom, nem útil, então é melhor que o guardes apenas para ti.
Tratando as Feridas do Corpo de Cristo
Lembro-me de um fato ocorrido há cerca de 15 anos. Certo médico, numa comemoração, dispôs-se a soltar fogos, estando a festa lá pelas tantas. Resultado: o foguete estourou em sua mão e queimou-a completamente. Com a dignidade de um verdadeiro médico diante da dor, ele mesmo levou sua mão em carne viva à água abundante, e lavou-a bem com sabão em barra, para em seguida untá-la e enfaixá-la. Passado um tempo, não havia sequer uma cicatriz do triste evento, a não ser o que se aprendeu sobre como não soltar foguetes.
Aprendi com aquele médico: quando há um ferimento a primeira medida é lavá-lo com água e sabão. Não podemos aplicar sobre ele uma faixa ou um bandaid, tamponando antes de limpar. Caso contrário a ferida ficará infeccionada, podendo trazer graves complicações para todo o corpo.
O Senhor Jesus, médico dos médicos, em sua Palavra afirma, através do apóstolo Paulo, que somos membros de um só corpo:
“Pois em um só corpo todos nós fomos batizados em um único Espírito: quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um único Espírito.
O corpo não é composto de um só membro, mas de muitos.
Se o pé disser: "Porque não sou mão, não pertenço ao corpo", nem por isso deixa de fazer parte do corpo.
E se o ouvido disser: "Porque não sou olho, não pertenço ao corpo", nem por isso deixa de fazer parte do corpo.
Se todo o corpo fosse olho, onde estaria a audição? Se todo o corpo fosse ouvido, onde estaria o olfato?
De fato, Deus dispôs cada um dos membros no corpo, segundo a sua vontade.
Se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo?
Assim, há muitos membros, mas um só corpo.
O olho não pode dizer à mão: "Não preciso de você! " Nem a cabeça pode dizer aos pés: "Não preciso de vocês! "
(1 Coríntios 12:13-21)
Como tem estado este Corpo? Corpo espiritual, formado pela igreja, pelos crentes em Cristo? Certamente, com muitos membros saudáveis, e outros nem tanto. As feridas que se apresentam neste corpo são, geralmente, da ordem do caráter, e causadas pela presença deste vírus tão disseminado entre os homens: o pecado. O pecado gera feridas repulsivas, fétidas, purulentas.
Quando membros saudáveis as vêem, sua tendência natural é repudiar, esconder, ocultar. Ou desejar extirpar esta parte do corpo, muitas vezes de modo prematuro, antes que o tecido seja necrosado.
No evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas, capítulo 10, o Senhor nos ensina algo sobre como tratar feridas, com a parábola do bom samaritano. Diz o texto que um homem foi assaltado e surrado à beira da estrada. Por esta estrada passava um sacerdote. Ao deparar-se com ele, atravessou para não se obrigar a fazer algo. Em seguida, passou um levita. Ao ver o homem, foi embora pelo outro lado da estrada. Passando também um samaritano, homem sem dignidade aos olhos dos judeus, este se compadeceu do que estava ferido.
“Então chegou perto dele, limpou seus ferimentos com azeite e vinho e em seguida os enfaixou. Depois disso, o samaritano colocou-o no seu próprio animal e o levou para uma pensão, onde cuidou dele.”
(Lc 10:33-34)
O Mestre nos pergunta: “- Na sua opinião, qual desses três foi o próximo do homem assaltado?”
Quem é o seu próximo?
Se somos membros de um mesmo corpo, então precisamos tratar uns dos outros. Com o amor de Cristo, com a Água Viva, com o Azeite do Espírito. Precisamos colocar o membro ferido em nossa vida, e cuidar dele. Não é coerente com a fé que professamos que simplesmente queiramos ocultar as feridas do corpo.
Feridas precisam ser tratadas. E em seguida protegidas. Expor feridas à ação do tempo antes que criem casca pode gerar infecções. É preciso refazer os curativos diariamente, e acompanhar a cicatrização.
Todos fomos batizados em um só Espirito, quer escravos, quer livres. Alguns de nós estão mais maduros, mais libertos de pecados aparentes, mais fortalecidos na fé. Outros estão ainda fracos, escravos de pecados recorrentes. O que faremos a estes? Atravessaremos a estrada, fingindo não ser conosco? Ou, atendendo à instrução do Cabeça do Corpo, os recolheremos da beira do caminho, nos dispondo a lavar e tratar suas feridas?
“Pelo contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos são indispensáveis,
e os membros que pensamos serem menos honrosos, tratamos com especial honra. E os membros que em nós são indecorosos são tratados com decoro especial,
enquanto os que em nós são decorosos não precisam ser tratados de maneira especial. Mas Deus estruturou o corpo dando maior honra aos membros que dela tinham falta,
a fim de que não haja divisão no corpo, mas, sim, que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros.
Quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele.
Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo.” (1 Co12:22-27)
sábado, 5 de maio de 2012
LEVANTA, SACODE A POEIRA, DÁ A VOLTA POR CIMA
Maria Beatriz Versiani
Diz a letra de um velho samba: Reconhece a queda, e não desanima: Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima! Apenas uma ilustração do cancioneiro popular para algo muito superior, que o Senhor Jesus nos ensinou em Seu Evangelho segundo Mateus: “Ao entrardes na casa, saudai-a: se, com efeito, a casa for digna, venha sobre ela a vossa paz; se, porém, não o for, torne para vós outros a vossa paz. Se alguém não vos receber, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Em verdade vos digo que menos rigor haverá para Sodoma e Gomorra, no dia do Juízo, do que para aquela cidade.” (Mt 10:12-15)
Somos seres humanos, e, por isso, relacionais. Nossa marca é a impossibilidade de vivermos e perpetuarmos a espécie sem nos encontramos uns com os outros. Tudo se dá nos encontros.
O propósito dos encontros aos quais o Senhor Jesus se referia naquele momento era pregar o Reino de Deus. Um Reino que não era deste mundo, não obedecia à ordem social deste mundo, não correspondia aos anseios deste mundo. Reino de uma lógica considerada “loucura” e “fraqueza” para os que não creram, mas Poder de Deus para os que o aceitaram. Os doze apóstolos estavam sendo enviados naquele momento, “de preferência, às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt10:6).
Isto nos indica que aqueles cristãos iam não para um povo que não conhecia e não esperava as coisas do Senhor, mas para um povo que, por causa de seu coração endurecido, se assemelhava a lobos. Sacudir a poeira dos pés era um sinal de repúdio que os judeus utilizavam para os não judeus. Assim, foi este o sinal que o Senhor disse que os apóstolos utilizassem, se necessário, com os próprios judeus, para causar impacto aos seus corações rebeldes e endurecidos.
A Palavra de Deus nos compara a casas espirituais: “Também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo.” (1 Pe 2:5) Daí que se somos casa, habitação, todos nós seres humanos temos um senhor, um dono da casa. E esse dono ornamenta sua casa com aquilo que diz respeito a ele. Nós, cristãos, somos habitação do Espírito Santo de Deus, é Ele quem determina a decoração, a limpeza, a manutenção.
Ao nos encontrarmos, fazemos trocas intelectuais, afetivas. Entramos “na casa” uns dos outros. Para nós cristãos, está dada a direção: quando ” entrarmos numa casa”, quando nos encontrarmos com qualquer outro, devemos saudá-lo com a paz que vem do Senhor que habita em nós. Se esta “casa” for digna de receber, será sobre ela a nossa paz, a paz do nosso Senhor. Se rejeitar-nos, devemos, ao sair dela, sacudir o pó dos nossos pés. O juízo sobre esta “casa” virá não por nós mesmos, mas pelo Senhor que habita em nós. Como lidar com a rejeição? Como responder a uma ofensa? Como receber a injúria, a injustiça? Devemos nós, cristãos, reivindicar incessantemente nosso direitos num mundo regido pelo maligno? Que direitos ele nos concederia?
O nosso Mestre foi destituído de todos os seus direitos. E não abriu a boca. Não o fez porque não pudesse, sim, Ele podia tudo. Mas porque era necessário que por um pouco de tempo fosse humilhado, para a manifestação da Sua Glória. O discípulo não é maior que o Mestre. Somos “pequenos cristos” e por isso carregamos, com Ele, o opróbrio, a vergonha, a perseguição. Não temeremos os “que matam o corpo”, porque quem não toma a sua cruz, e vai após Ele, não é digno Dele. Caminhamos como peregrinos, submetendo-nos a toda instituição humana, por causa do Senhor (1 Pe 2:13), guardados pelo poder de Deus, exultantes na salvação que se revelará no último tempo: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.” (Ap 21:3-4)
“Bem aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas” (Ap: 22:14)
Aí está a nossa volta por cima. Reconhecer que nosso lugar de glória não está aqui, no mundo manifesto, mas nas coisas que ainda não vimos e não conhecemos, e que Deus, o nosso Pai, tem preparado para nós.
Vamos irmãos. Andemos em alegria e temor, cantando hinos e louvando ao nosso Deus. Saudemos a todos com a nossa paz, desejemos a paz, ministremos amor e perdão. Façamos a qualquer pessoa como se fosse para Ele. Façamos somente o bem, e nunca o mal. Caminhemos. Ele está conosco nesta viagem todos os dias, até alcançarmos a Terra Prometida.
Diz a letra de um velho samba: Reconhece a queda, e não desanima: Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima! Apenas uma ilustração do cancioneiro popular para algo muito superior, que o Senhor Jesus nos ensinou em Seu Evangelho segundo Mateus: “Ao entrardes na casa, saudai-a: se, com efeito, a casa for digna, venha sobre ela a vossa paz; se, porém, não o for, torne para vós outros a vossa paz. Se alguém não vos receber, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Em verdade vos digo que menos rigor haverá para Sodoma e Gomorra, no dia do Juízo, do que para aquela cidade.” (Mt 10:12-15)
Somos seres humanos, e, por isso, relacionais. Nossa marca é a impossibilidade de vivermos e perpetuarmos a espécie sem nos encontramos uns com os outros. Tudo se dá nos encontros.
O propósito dos encontros aos quais o Senhor Jesus se referia naquele momento era pregar o Reino de Deus. Um Reino que não era deste mundo, não obedecia à ordem social deste mundo, não correspondia aos anseios deste mundo. Reino de uma lógica considerada “loucura” e “fraqueza” para os que não creram, mas Poder de Deus para os que o aceitaram. Os doze apóstolos estavam sendo enviados naquele momento, “de preferência, às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt10:6).
Isto nos indica que aqueles cristãos iam não para um povo que não conhecia e não esperava as coisas do Senhor, mas para um povo que, por causa de seu coração endurecido, se assemelhava a lobos. Sacudir a poeira dos pés era um sinal de repúdio que os judeus utilizavam para os não judeus. Assim, foi este o sinal que o Senhor disse que os apóstolos utilizassem, se necessário, com os próprios judeus, para causar impacto aos seus corações rebeldes e endurecidos.
A Palavra de Deus nos compara a casas espirituais: “Também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo.” (1 Pe 2:5) Daí que se somos casa, habitação, todos nós seres humanos temos um senhor, um dono da casa. E esse dono ornamenta sua casa com aquilo que diz respeito a ele. Nós, cristãos, somos habitação do Espírito Santo de Deus, é Ele quem determina a decoração, a limpeza, a manutenção.
Ao nos encontrarmos, fazemos trocas intelectuais, afetivas. Entramos “na casa” uns dos outros. Para nós cristãos, está dada a direção: quando ” entrarmos numa casa”, quando nos encontrarmos com qualquer outro, devemos saudá-lo com a paz que vem do Senhor que habita em nós. Se esta “casa” for digna de receber, será sobre ela a nossa paz, a paz do nosso Senhor. Se rejeitar-nos, devemos, ao sair dela, sacudir o pó dos nossos pés. O juízo sobre esta “casa” virá não por nós mesmos, mas pelo Senhor que habita em nós. Como lidar com a rejeição? Como responder a uma ofensa? Como receber a injúria, a injustiça? Devemos nós, cristãos, reivindicar incessantemente nosso direitos num mundo regido pelo maligno? Que direitos ele nos concederia?
O nosso Mestre foi destituído de todos os seus direitos. E não abriu a boca. Não o fez porque não pudesse, sim, Ele podia tudo. Mas porque era necessário que por um pouco de tempo fosse humilhado, para a manifestação da Sua Glória. O discípulo não é maior que o Mestre. Somos “pequenos cristos” e por isso carregamos, com Ele, o opróbrio, a vergonha, a perseguição. Não temeremos os “que matam o corpo”, porque quem não toma a sua cruz, e vai após Ele, não é digno Dele. Caminhamos como peregrinos, submetendo-nos a toda instituição humana, por causa do Senhor (1 Pe 2:13), guardados pelo poder de Deus, exultantes na salvação que se revelará no último tempo: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.” (Ap 21:3-4)
“Bem aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas” (Ap: 22:14)
Aí está a nossa volta por cima. Reconhecer que nosso lugar de glória não está aqui, no mundo manifesto, mas nas coisas que ainda não vimos e não conhecemos, e que Deus, o nosso Pai, tem preparado para nós.
Vamos irmãos. Andemos em alegria e temor, cantando hinos e louvando ao nosso Deus. Saudemos a todos com a nossa paz, desejemos a paz, ministremos amor e perdão. Façamos a qualquer pessoa como se fosse para Ele. Façamos somente o bem, e nunca o mal. Caminhemos. Ele está conosco nesta viagem todos os dias, até alcançarmos a Terra Prometida.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
O Leite Espiritual

Maria Beatriz Versiani
“Desejai ardentemente, como meninos recém nascidos, o puro leite espiritual, para por ele crescerdes para a salvação, agora que já provastes que o Senhor é bom.” (1 Pe 2:2-3)
Sento-me diante do texto perplexa com a poesia que o Espírito Santo plantou no coração de Pedro, um rude pescador. Que metáfora! Vejo os bebês arquivados em minha memória e seu choro forte que só cessa no peito da mãe.
Com que ardor um bebezinho clama pelo leite! É questão de sobrevivência! Sem o leite, há desidratação, queda de temperatura, não há crescimento. Para o bebê, o leite é o alimento completo. Até mesmo uma mãe desnutrida guardará o melhor de seus nutrientes no leite do peito que oferece ao seu bebê.
Ao peito, o bebe encontra não somente o alimento, mas o sentido. A criança encontra na experiência de mamar o olhar da mãe sobre ela, olhar que vem carregado de significantes, que serão tomados na construção da identidade.
Podemos pensar então sobre o texto bíblico. Desejar ardentemente o leite espiritual conduz-nos ao encontro do sentido de quem verdadeiramente somos. O encontro com o leite espiritual é o encontro com a Palavra, essa que nos dá a identidade: sermos filhos de Deus.
Desejar ardentemente o leite espiritual significa não abrir mão daquilo que me é primordial. O alimento garante a sobrevivência. Não posso viver sem Ele.
Talvez por isso o Senhor Jesus tenha afirmado: “ Em verdade vos digo, que se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.” (Mt 17:3)
Preciso desejá-Lo ardentemente. Com a urgência de um bebê faminto. Com a necessidade de um bebê desamparado. Ao acordar, chorar por Ele, por Sua presença, pelo alimento que me dá. E então, vindo Ele, saciar-me, recebendo e fruindo de tudo aquilo que Ele tem para mim.
“Sacia-nos de manhã com o teu constante amor, para que nos regozijemos, e nos alegremos todos os nossos dias.
Alegra-nos pelos dias que nos afligiste, e pelos anos em que vimos o mal. Apareça a tua obra aos teus servos, e a tua glória sobre seus filhos.
Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus; confirma sobre nós a obra das nossas mãos. Sim, confirma sobre nós a obra das nossas mãos.” (Sl 90:14-17)
quarta-feira, 28 de março de 2012
Sobre a negação da castração e a disposição perversa da teologia da prosperidade

Sobre a Negação da Castração e a Disposição Perversa da Teologia da Prosperidade
Maria Beatriz Versiani
Psicanálise e teologia não se misturam! A frase é dita com convicção tanto por psicanalistas como por teólogos. Tenho, contudo, abertas as possibilidades de escuta para um diálogo que, há alguns anos, vem teimando em se fazer no espaço entre estes dois saberes. O primeiro, do homem e sua singular subjetividade, e, o segundo, do homem e sua singular e subjetiva condição de ser espiritual, transcendente.
A partir da brecha que se abre entre estes dois campos, proponho pensar sobre o contemporâneo desmentido que a teologia da prosperidade opera para negar a castração.
Somos seres insaciáveis. À falta-a-ser, estruturante do sujeito do desejo, respondemos de maneiras diversas e particulares. Mas trata-se aqui mais de analisar-se um discurso, que, pretendendo fazer-se cristão, sai como mentiroso na medida em que desmente a falta.
Somos faltosos. Desde o Éden. Lá, no jardim-útero, éramos completos. Não experimentávamos a falta, visto que não havia separação. O que instaura a falta é justamente aquilo que separa, que se interpõe numa relação simbiótica, o que se opõe ao emaranhado que não permite saber até onde sou eu, e até onde o outro.
No Éden, literalmente, caímos. A expulsão do jardim é chamada Queda de Adão. Queda do primeiro homem. Experiência que inaugura a angústia da falta a ser. Após a queda, a maldição da incompletude: “E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua concepção; com dor terás filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará. E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei dizendo: não comerás dela: maldita é a terra por causa de ti, com dor comerás dela por toda a tua vida.” (Gn 3:16-17)
“O Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado. E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida.” (Gn 3:23-24)
A condição de completude foi interditada. Não, ao primeiro homem não seria concedido tudo. Era preciso, mesmo ali no jardim, lidar com a falta. De uma árvore ele não poderia comer. Se o fizesse, morreria. Morreu para a ilusão de ser completo.
Pois bem. O que dizer então, de um “evangelho” que prega a completude, a totalidade neste mundo? O que dizer de um “evangelho” que alardeia sobre não sermos frustrados? Ah, sim, somos não somente vencedores, mas mais que vencedores. O versículo existe, no contexto. O texto leva-me a crer que somos sim, mais que vencedores, sobre a nossa própria natureza, exageradamente humana. Que em Cristo, importa que meu ego diminua para que Ele cresça. E o poder Dele, que se aperfeiçoa na minha fraqueza, me fará capaz de suportar toda a castração que me estiver imposta, porque humana. Importa que cada dia seja menos a minha vontade, e mais a vontade de Deus, a governar minha vida.
Porque a minha vontade é da ordem da demanda, e seu destino é deslizar por uma longa cadeia de substituições. Se eu queria um marido, agora já não me serve mais! Se eu queria uma casa, agora está muito pequena, ou demasiado grande. Se eu queria um carro, está obsoleto, ou gasta muito. Quem sabe uma bicicleta?
Do púlpito ouço anunciarem: imagine o que você quer ser, fotografe-se vestido disso, e você o será. Alguma semelhança com alguém vestir-se de enfermeira para uma noite de sexo? O fetiche é um desmentido. Quer negar a castração.
Mas o evangelho de Cristo, esse não nega. Não dá margem para dúvidas. Estreito é o caminho que conduz à salvação... Entrai pela porta estreita... o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça...
Então [Jesus] chamou a multidão e os discípulos e disse: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá; mas quem perder a sua vida por minha causa e pelo evangelho, a salvará. Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? (Mc 8:34-36)
O evangelho de Cristo, o Filho do Homem, o Verbo Encarnado, diz que é preciso perder, para então ganhar. Mas perder o que? O seu próprio ego. Negue-se a si mesmo. Negue-se às suas vontades, negue-se às suas demandas.Negue-se à sua mania de grandeza. Negue-se ao seu desejo de fazer crescer o seu nome mais do que o Nome Dele. Tome a sua cruz, tome a sua dor, tome a sua falta, tome as suas frustrações, tome a sua castração. E, então, siga-Me.
A esta altura,caro leitor, se você tiver chegado até aqui, convido-o a uma leitura complementar, a Carta de Judas, irmão de Tiago. Ele, servo de Jesus Cristo e seu irmão, adverte: “Pois alguns homens que não temem a Deus entraram no meio da nossa gente sem serem notados. Eles torcem a mensagem a respeito da graça do nosso Deus a fim de arranjar uma desculpa para sua vida imoral. E também rejeitam Jesus Cristo, o nosso único Mestre e Senhor. Há muito tempo que as Escrituras Sagradas anunciaram a condenação que eles já receberam.” (Jd 1:4)
E, ainda, João, em sua segunda carta: “Quem não fica com o ensinamento de Cristo, mas vai além dele, não tem Deus. Porém, quem fica com o ensinamento de Cristo, esse tem tanto o Pai como o Filho. Se alguém for até vocês e não levar o ensinamento de Cristo, não recebam essa pessoa na casa de vocês, nem lhe digam: “Que a paz esteja com você!” Pois quem deseja paz a esta pessoa é seu companheiro no mal que ela faz.” (2 Jo:9-10)
Sim, o Verbo se fez Carne. E Ele foi devastado, fez-se um nada, para que nEle fosse feita a vontade do Pai. Ele fez-se um nada, para que pudéssemos ser. Não ascendemos à condição de filhos pelo encontro do espermatozóide com o óvulo, como sugere o orador. Somente o alcançamos pelo encontro do Todo com o nada na cruz, onde, fazendo-se perdedor, venceu o mundo.
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domingo, 18 de março de 2012
Celebrar a Tristeza

Maria Beatriz Versiani
“ A tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, o qual não traz pesar.” (2 Co 7:10a)
Talvez você que lê este artigo suponha que aquela que escreve esteja depressiva, fazendo, como os romanticos autores tuberculosos de outrora uma ode à tristeza. Não se trata disso. Absolutamente.
Do que pretendo tratar aqui é de uma natureza de tristeza que, conforme diz Paulo em sua segunda carta aos Coríntios, opera algo em nós. Algo que necessita ser operado.
Vivemos num tempo que rejeita a tristeza a todo custo. A oferta é de muita diversão, alienação e psicotrópicos. Anestesia para toda dor. As pesquisas mostram que o consumo de medicamentos tarja preta avança em passos largos, não havendo controle por parte dos órgãos responsáveis. Isso faz com que meninas de 16 anos estejam se entupindo de bromazepan e outros semelhantes... Isto faz com que crianças com diagnostico equivocado abusem de Ritalina, porque os pais não “agüentam” colocar limites nem se haver com a falta deles.
Nestes tempos, bom é o carnaval e a “alegria” (ou seria alegoria?) de quatro dias. Alegria que frequentemente se transforma em dor na quarta feira de cinzas... Lembro-me de uma marchinha de carnaval que aludia à quarta feira: “hoje não tem dança, não tem mais menina de trança, nem cheiro de lança no ar... hoje não tem frevo, tem gente que passa com medo na praça ninguém pra cantar”...
E na quarta feira de cinzas, dá-lhe mais umas pra rebater a ressaca moral e física.
Não, este texto não pretende ser moralista nem inconveniente. Ah, o mundo já tem tanta “desgraça” e ainda tem gente pra falar de tristeza?
Sim. Há um tipo de tristeza necessária para o crescimento. Há um tipo de luto que se deve fazer, e que a Bíblia nos ensina claramente que precisa acontecer de tempos em tempos na nossa caminhada.
Corremos o risco de seguirmos entorpecidos pela vida, até que tardiamente nos vejamos infrutíferos e sós. E isso pode nos levar a uma tristeza do mundo, essa que, ainda segundo Paulo na carta aos coríntios, opera a morte.
Há tristeza que nos leva à revisão de vida. Ao arrependimento. À conversão. O Evangelho de Mateus nos conta que Pedro, discípulo de Jesus, a quem tinha feito juras de fidelidade, no dia do julgamento sumário do Mestre, aquentava-se no pátio do lado de fora da casa de Caifás, o sumo sacerdote. Lá, em volta de uma fogueira, foi reconhecido como seguidor de Jesus. E o negou. Mais duas vezes foi reconhecido e, novamente, O negou.
Diz a Palavra: “Pedro lembrou-se da Palavra que Jesus lhe tinha dito: Antes que o galo cante, três vezes me negarás tu. E retirando-se dali, chorou amargamente.” (Mt 26: 69-75)
Sabemos que algum tempo depois, o Senhor Jesus Ressurreto, que havia em sua onisciência visto o arrependimento do seu discípulo, chamou-o numa praia à beira de uma fogueira onde assava peixes, e ali, levou-o a declarar o seu amor por Ele, por três vezes, para que a memória daquela tristeza fosse curada e se efetuasse a operação da cura e da conversão completa de Pedro. (Jo 21:15-17)
Pois bem. Assim aprendemos que precisamos discernir a tristeza segundo Deus da tristeza segundo o mundo. Seja bem vinda a tristeza que constrange o nosso coração (porque o amor de Cristo nos constrange), e que nos leva aos pés da cruz de Cristo. Seja bem vinda a tristeza que nos faz revisar nossas vidas, para buscarmos a verdade sobre nós. Seja bem vinda a tristeza que nos leva a reconhecer o nosso pecado, e buscarmos desesperadamente, não a anestesia passageira e alienante das drogas, da bebida, da sexualidade solta e desenfreada. Mas a cura definitiva para a nossa dor, que só podemos encontrar aos pés do Mestre.
Sim, seja bem vinda tristeza: “Cessou o gozo de nosso coração, converteu-se em lamentação a nossa dança. Caiu a coroa da nossa cabeça. Ai de nós, pois pecamos.”(Lm 5:15-16)
O poeta Vinícius de Moraes, em seu poema: Dia da Criação, nos remete ao lado B da “alegria” do sábado:
“Nesse momento há um casamento, porque hoje é sábado
Há um divórcio e um violamento,porque hoje é sábado
Há um homem rico que se mata, porque hoje é sábado
Há um incesto e uma regata, porque hoje é sábado
Há um espetáculo de gala, porque hoje é sábado
Há uma mulher que apanha e cala, porque hoje é sábado...”
Porque hoje é sábado, eu convido você a celebrar a vida que se renova pela via da tristeza. Foi numa via dolorosa que o Senhor Jesus, numa sexta-feira, se fez todo dor e sofrimento, para que nossas dores e sofrimento cessassem. Porque hoje é sábado, eu convido você a deixar de lado a bebida que entorpece a razão, a busca frenética por um parceiro, o convite sensual da televisão. Porque hoje é sábado, eu convido você a visitar o túmulo dAquele que morreu, para então descobrir que a cruz está vazia, a pedra do sepulcro foi removida, Ele Vive, Ele Ressuscitou!
A alegria Dele é eterna e constante. A alegria que vem Dele é para sempre. Vale a pena revisar, com tristeza, o caminho por onde andamos. Para então, nos alegrarmos, eternamente, com Ele.
“Regozijai-vos sempre; orai sem cessar; em tudo dai graças, pois esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem. Abstende-vos de todo tipo de mal. O mesmo Deus de paz vos santifique completamente. E todo o vosso espírito, alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.”(1 Ts 5:16-24)
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Dá-me o Teu Coração

O meu coração está aos pés da Cruz de Cristo. Como num quadro impressionista, meu coração sangra arrancado a força do peito. Despojado, largado ali aos pés do Senhor Jesus.
Doeu muito fazê-lo. Arrancá-lo, veias e artérias, sem anestesia, sem torpor. No auge da minha lucidez, percebi que se não o fizesse morreria. Meu coração estava enfermo de amargura e rancor. De sonhos não vividos, de prazeres que não conquistei. De pessoas que não perdoei, de bens que não consegui. Meu coração estava cheio do vazio dos nãos que recebi da vida, e que me fizeram chorar e lamentar.
Porque quando recebo nãos da vida minha alma, qual criança, se fecha em frustração e queixumes. De repente se turvam meus olhos e já não sou capaz de ver todos os sims que me trouxeram até aqui. O sim da vida que vingou no ventre da minha mãe. O sim da saúde, o sim dos estudos, do casamento, de filhos. O sim dos amigos, o sim dos muitos trabalhos nos quais me envolvi.
Especialmente, como concha fechada, a minha alma se esquece do SIM que recebi naquela Cruz. Um SIM que não dependeu de quem eu era, do que havia feito, de como havia chegado ali. Um SIM dado todo por AMOR e por GRAÇA.
Por este SIM, e em troca dele, deposito agora aos pés do Senhor meu coração. Já não é mais meu, esse que palpita. Agora é Teu. Toma-o, e esvazia. Faz nele uma sangria, derrama dele toda dor. Transplanta ao meu peito o coração que tens, esse que é cheio de terna compaixão.
Dá-me a dignidade do Teu olhar, que contempla do alto do madeiro os que te rejeitaram, e os ama com amor sublime. Dá-me o Teu sangue por herança, e a visão das coisas futuras por misericórdia. Faz-me contemplar a vida a partir desse lugar, do madeiro em que estivestes, por um pouco de tempo, até que tudo fosse consumado.
Senhor, dá-me o Teu coração. Dá-me o Teu sobrenome. Dá-me a Vida abundante que há em Ti.
"Sonda-me ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos. Vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno." (Sl 139: 23-24)
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Caio Fábio - Devocional - Livres do pecado pela Graça - Romanos 6.1-14.wma - 4shared.com - music and mp3 sharing - download - Janilson Moraes
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quarta-feira, 30 de novembro de 2011
O TEMPO DE CHORAR

Como povo de Deus, nós freqüentemente rejeitamos a idéia da tristeza. Como se sentir tristeza, ou fracasso, ou decepção, fosse pecado. Esquecemos que o Senhor Deus nos criou com esse mundo de sentimentos dentro de nós, e a vontade Dele é sempre Boa, Perfeita e Agradável.
Então, não há razão para rejeitarmos tanto o deserto.
No deserto aprendemos.
No deserto nos encontramos com aquilo que existe de melhor e de pior em nós.
No deserto somos igualados ao outro, que, não importa se mais rico ou mais pobre, quando no deserto está sujeito às mesmas condições de todos os outros.
No deserto, sobretudo, somos consolados.
Deus habitou com seu povo no deserto. A festa dos tabernáculos era para lembrar que Deus havia feito seu povo habitar em tendas, lugares provisórios como esta vida, mas que ali também Ele habitava com eles, no tabernáculo que mandou construir e sobre o qual a sua Glória se manifestava.
Deus habitou no deserto. Ensinou com isso, que no lugar de passagem Ele também estaria com seu povo. Assim como nesta vida – lugar de passagem - Ele é Emanuel, Deus conosco.
A vida nesse mundo é lugar de provação. Temos algumas vitórias, mas a maior delas é que um dia estaremos livres de toda dor e sofrimento.
Enquanto sofremos, podemos sim chorar. Podemos sim assumir que apesar de sermos usados por Deus, as nossas vidas não são perfeitas. Somos vasos imperfeitos usados por um Espírito Perfeito. E aí reside a Glória Dele.
Queridos irmãos, as dificuldades com filhos, com trabalho, nos relacionamentos conjugais, e também aquelas que temos conosco mesmos são inerentes à nossa passagem por aqui. Digo passagem, porque é provisória a nossa estadia. Um dia nos despediremos daqueles que amamos, da vida que construímos, e seremos transportados para uma outra realidade, que ainda não conhecemos.
O tempo de recolhimento da alma pode produzir crescimento. O bambu chinês passa cinco anos crescendo para dentro da terra até que desponte para a superfície. Podemos aprender com ele a crescer também, internamente. A terra úmida e escura faz crescer raízes fortes, que garantem a consistência da vida manifesta.
O tempo do silêncio comumente rejeitado pode nos levar a reconhecer e assumir nosso lugar no mundo, na família, na igreja, nesta vida.
Portanto, seja-nos permitido desfrutar também do tempo em que a alegria não é aparente, mas em que estamos sendo trabalhados por Deus para fortalecer nossas raízes e, então, florescermos e darmos bons frutos.
Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz. (Ec 3: 1-8)
sábado, 26 de novembro de 2011
Águas Vivas

Da minha janela vejo um lago. Não é grande, nem profundo. Suas águas são calmas e escuras. Algumas garças pousam por lá de vez em quando. Há também uma família de patinhos que o visita de tempos em tempos.
No último mês, o lago que avisto mudou. Foi infestado por uma planta daninha, comumente chamada de Água Pés. Toda a superfície da água foi coberta por essa planta aquática, que se reproduz com muita rapidez e é capaz de entupir corpos de água. Sua massa diminui a capacidade de oxigenação da água matando os outros seres que vivem nela.
Quando olho de minha janela, vejo agora uma paisagem semelhante a um campo gramado. Penso mesmo que um motorista desavisado corre o risco de seguir com o carro sem perceber que o tal gramado na verdade é um lago coberto. A fauna que habita o lago está morrendo. A cada manhã, parece ter aumentado a infestação de água pés.
A visão das águas infestadas por uma praga me lembra águas mortas, e, por oposição, águas vivas. Vou ao Evangelho:
No Evangelho de João, encontro-me com o Senhor Jesus vivendo o tempo da Festa dos Tabernáculos. Suas palavras e atos eram contestados por muitos, aceitos por outros, e causavam dúvida, temor e indignação. Falava-se Dele. Buscava-se evidências se Ele seria o messias ou apenas um profeta. E, diz a Bíblia, que no último dia da festa Ele se levantou:
E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba.
Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.
João 7:37-38
A Festa dos Tabernáculos foi instituída por Deus para que o povo de Israel se lembrasse de que Deus os havia feito habitar e tendas, em sua passagem pelo deserto. No deserto, também o Senhor habitou com seu povo, no Tabernáculo que abrigava a Arca da Aliança, e onde eram oferecidos os sacrifícios a Ele. Era costume que nessa festa, no último dia, o sacerdote derramasse água no altar do Templo, simbolizando o derramar de águas da chuva que Deus enviaria para a próxima colheita.
Conta o evangelho que neste último dia da festa o Senhor Jesus se apresenta, de pé, como fonte de águas vivas.
Chegamos ao final de 2011. A festa do Natal se aproxima. Simboliza um derramar de amor, paz, reconciliação em todos os cantos da terra onde já se ouviu falar de Jesus. Muitos de nós, no entanto, nem se lembram mesmo o que se comemora. Festas são memoriais, e memoriais servem para nos lembrar de coisas importantes, significativas.
No Natal, a figura do “bom velhinho” e suas renas substituiu com muitas luzes piscantes a memória da vinda do Senhor para o nosso meio.
Assim como na Festa dos Tabernáculos a intenção era fazer lembrar ao povo que Deus habitou no meio dele, também no Natal é preciso lembrar. É preciso encontrar o sentido da festa que fazemos. E o sentido está em que Deus, que outrora habitou em um tabernáculo no deserto, veio ao mundo em carne e osso, e habitou entre nós. O sentido está em anunciá-lo como EMANUEL – DEUS CONOSCO.
A partir de Cristo, Deus não é mais alguém distante, cujo acesso estava restrito aos sacerdotes. A vinda de Jesus Cristo inaugurou a passagem para um relacionamento íntimo e próximo com Deus:
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. (João 1:1;14)
Deus veio até nós, e pela vida, morte e ressurreição de Jesus escreveu para nós sua mensagem de amor em letras garrafais:
EU VIM PARA QUE TENHAM VIDA E A TENHAM COM ABUNDÂNCIA. (Joao 10:10)
Dezembro chegou. A festa está prestes a começar. Talvez estejamos como o lago que vejo de minha janela: onde havia água boa, onde havia vida, a superfície está tomada por água pés. As águas se tornaram mal cheirosas e inúteis. Não há oxigênio e os peixes que outrora viviam ali estão morrendo. A água não dá seus frutos. Talvez estejamos como água morta.
Apesar de todo o barulho do “bom velhinho” e suas renas voadoras, a voz de Cristo se levanta, no meio da festa e anuncia: SE ALGUÉM TEM SEDE VENHA A MIM E BEBA!
Jesus Cristo é aquele que tem poder para renovar as águas, removendo toda a impureza que as cobrem. Ele é a fonte das águas. Ele é a razão da festa.
Aproveite a festa para beber Dele. Porque Ele diz:
Aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.
João 4:14
E tenha um Natal cheio do amor e do renovo de Cristo em seu coração!
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sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Pizza de Graça
Embora já esteja subindo a colina dos “enta”, os dias que antecedem meu aniversário são sempre especiais. A criança em mim desperta em expectativas doces e lembranças de bolo, velas e parabéns.
Celebrar aniversários é comemorar a dádiva da vida! Afinal, se cheguei até aqui e porque muitos milagres aconteceram. O milagre de ter sido gerada, única, no ventre da minha mãe. O milagre de muitos livramentos, que me permitiram viver todos esses anos. O milagre do crescimento forte, saudável. Viver é um milagre! Não é incrível que as minhas impressões digitais sejam diferentes de qualquer outro ser humano? Isso me lembra que as marcas que as minhas mãos farão no barro deste mundo serão feitas somente por elas, o que me torna ainda mais responsável pelas escolhas que faço pelo caminho... Mas isso é uma outra história.
O fato que quero contar é este:
Dia desses, recebo um telefonema desinteressado de uma amiga convidando para comermos uma pizza. Ah, me pegou de surpresa, o caixa anda baixo, penso que não posso ir. Então ela me tranqüiliza e diz: “ –Não se preocupe, eu tenho um crédito na pizzaria, vamos.”
Com um certo constrangimento, aceitei. Rumamos então, no dia marcado, para o restaurante. Chegando lá, surpresa! A coisa era combinada, e havia uma “cúmplice” me esperando com um lindo bolo e velas incandescentes, verdadeiros fogos de artifício!
Ah, que delícia! A criança em mim batia palmas e se alegrava. Olhei por alguns segundos maravilhada, para o singelo bolo cor de rosa e suas velas esfuziantes. Seguiram-se pizza, refrigerantes, batatas fritas, risadas, confidências... Momentos maravilhosos que não têm preço.
Opa, não têm preço? Mas como assim? Meu coração começava a ficar apertado, ia chegando a hora da conta. Eu realmente estava desprevenida e nós havíamos nos divertido muito e comido bastante. Como eu não ajudaria a pagar? Quando o garçom chegou com a conta, disfarçadamente dei uma olhada no valor. Tinha ficado caro. De imediato saquei o que tinha na carteira e comecei um embate com minhas anfitriãs: não era justo que pagassem tudo, eu também deveria ajudar, e tome esta nota, e etc, etc,...
Para acabar com a cena, minha amiga olhou-me nos olhos, amorosamente e disse:
“-Querida, para você queremos o melhor, e nós já pagamos.”
Era tudo mesmo de graça para mim.
Em tudo isso o Espírito Santo de Deus me ensinava:
O que é a Graça de Deus dispensada sobre nós, senão isto? Quem de nós poderia pagar a conta da queda espiritual da humanidade? Nossos recursos são sempre parcos diante do preço das nossas vidas. Estamos sempre desprevenidos.
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”(Jo 3:16)
Ele pagou a conta. Ele podia pagar. Ele é Todo-Poderoso. Ele não contava com os meus trocadinhos. Nem com os seus. Ele é o dono do banco. Ele é Amor.
Ele me ama, e de presente me diz:
- Filha, toma a tua vida eterna. Eu te dou, porque te amo. Você não mereceu. Você não podia pagar. Eu já paguei para você. Agora venha, coma e beba comigo. E se alegre, se regozije no meu amor. Porque o Amor, filha, sou Eu.
“Amai-vos ardentemente uns aos outros de coração, tendo sido regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela Palavra de Deus, a qual vive e é permanente.
Pois: Toda a carne é como a erva, e toda a glória do homem como a flor da erva. Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a Palavra do Senhor permanece para sempre. (1 Pe 1: 22-24)
Celebrar aniversários é comemorar a dádiva da vida! Afinal, se cheguei até aqui e porque muitos milagres aconteceram. O milagre de ter sido gerada, única, no ventre da minha mãe. O milagre de muitos livramentos, que me permitiram viver todos esses anos. O milagre do crescimento forte, saudável. Viver é um milagre! Não é incrível que as minhas impressões digitais sejam diferentes de qualquer outro ser humano? Isso me lembra que as marcas que as minhas mãos farão no barro deste mundo serão feitas somente por elas, o que me torna ainda mais responsável pelas escolhas que faço pelo caminho... Mas isso é uma outra história.
O fato que quero contar é este:
Dia desses, recebo um telefonema desinteressado de uma amiga convidando para comermos uma pizza. Ah, me pegou de surpresa, o caixa anda baixo, penso que não posso ir. Então ela me tranqüiliza e diz: “ –Não se preocupe, eu tenho um crédito na pizzaria, vamos.”
Com um certo constrangimento, aceitei. Rumamos então, no dia marcado, para o restaurante. Chegando lá, surpresa! A coisa era combinada, e havia uma “cúmplice” me esperando com um lindo bolo e velas incandescentes, verdadeiros fogos de artifício!
Ah, que delícia! A criança em mim batia palmas e se alegrava. Olhei por alguns segundos maravilhada, para o singelo bolo cor de rosa e suas velas esfuziantes. Seguiram-se pizza, refrigerantes, batatas fritas, risadas, confidências... Momentos maravilhosos que não têm preço.
Opa, não têm preço? Mas como assim? Meu coração começava a ficar apertado, ia chegando a hora da conta. Eu realmente estava desprevenida e nós havíamos nos divertido muito e comido bastante. Como eu não ajudaria a pagar? Quando o garçom chegou com a conta, disfarçadamente dei uma olhada no valor. Tinha ficado caro. De imediato saquei o que tinha na carteira e comecei um embate com minhas anfitriãs: não era justo que pagassem tudo, eu também deveria ajudar, e tome esta nota, e etc, etc,...
Para acabar com a cena, minha amiga olhou-me nos olhos, amorosamente e disse:
“-Querida, para você queremos o melhor, e nós já pagamos.”
Era tudo mesmo de graça para mim.
Em tudo isso o Espírito Santo de Deus me ensinava:
O que é a Graça de Deus dispensada sobre nós, senão isto? Quem de nós poderia pagar a conta da queda espiritual da humanidade? Nossos recursos são sempre parcos diante do preço das nossas vidas. Estamos sempre desprevenidos.
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”(Jo 3:16)
Ele pagou a conta. Ele podia pagar. Ele é Todo-Poderoso. Ele não contava com os meus trocadinhos. Nem com os seus. Ele é o dono do banco. Ele é Amor.
Ele me ama, e de presente me diz:
- Filha, toma a tua vida eterna. Eu te dou, porque te amo. Você não mereceu. Você não podia pagar. Eu já paguei para você. Agora venha, coma e beba comigo. E se alegre, se regozije no meu amor. Porque o Amor, filha, sou Eu.
“Amai-vos ardentemente uns aos outros de coração, tendo sido regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela Palavra de Deus, a qual vive e é permanente.
Pois: Toda a carne é como a erva, e toda a glória do homem como a flor da erva. Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a Palavra do Senhor permanece para sempre. (1 Pe 1: 22-24)
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
CHAMADOS PARA QUÊ?

Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.
E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção.(Gn 12:1-2)
CHAMADOS PARA QUÊ?
Maria Beatriz Versiani
Estou convencida de que se a Bíblia ainda estivesse sendo escrita a minha história estaria por lá. Não porque eu seja alguém cuja história mereça registro, mas porque a Bíblia está repleta de histórias de gente, assim, como eu e você. Talvez eu fosse apenas mais uma na multidão que seguia Jesus, e ainda assim estaria lá, testemunhando Seu Ministério. Talvez eu fosse alguém como Marta, como Zaqueu, como Raabe.
O fato é que a cada tempo de minha vida sou levada a olhar-me no espelho bíblico. Ali, vejo-me estampada nas multifacetadas histórias de pessoas que se deixaram levar pela fé, se permitiram caminhar em desconhecidas e estreitas veredas. Hoje, pela manhã, vejo-me refletida em Abrão.
Abrão, futuro Abraão. O pai da fé. Alguém que nos ensina com sua história o que significa ter fé. Num dado momento de sua existência, já maduro, Deus, o Senhor, o chama. E oferece a ele trocar a estabilidade do conhecido por uma aventura rumo a um lugar que ele não conhece.
Como fez com Abrão, o Senhor também nos chama em alguns momentos: Sai do seu conforto, do que você já conhece e vai para um lugar que você ainda não sabe, mas eu te mostrarei... Ah! Quanta fé se exige nesse pedido!
É incrível como podemos nos apegar com facilidade a objetos, pessoas e situações. E surpreendente como fazemos destes nossos postes-ídolos. Ficamos presos, circulando em torno deles.
Winnicott, psicanalista de crianças, já nos falava dos objetos transicionais. A pequena criança, tomada pelo desamparo causado por sua separação da mãe, trata de eleger um objeto, que passa a funcionar como substituto simbólico da ausência da mãe, e com o qual ela se consola e conforta. Daí que vemos os pequenos andando pela casa arrastando um cobertorzinho que nunca pode ser lavado, ou uma boneca encardida e puxada pelos cabelos, ou uma chupeta que serve para cheirar na hora de dormir. Quem se lembra do Linus, personagem das tirinhas de Shultz, que nunca se separava de seu cobertorzinho? O objeto transicional funciona para aplacar a ansiedade da criança de sentir-se só. Como está sempre ao alcance das suas mãos, o objeto falseia o pavor causado pela falta. É esperado, no entanto, que o objeto transicional seja gradativamente desinvestido do afeto da criança, para que ela possa investir esse afeto em outras áreas, e, assim, cresça.
Se a criança resiste em deixar os objetos transicionais, haja negociação e choro em casa. Que pai ou mãe não teve que agüentar noites e noites de choro por ter convencido o pequeno a jogar a chupeta no telhado?
Pois bem, somos assim. Criamos raízes com facilidade, porque necessitamos estar referidos por um mediador nas nossas relações. Daí que nos apegamos ao lugar onde vivemos, à empresa em que trabalhamos, aos bens que conseguimos amealhar. Andamos colados a eles, sem perceber que são objetos, que jamais poderão substituir a Presença Daquele que nos gerou.
Mas há sempre dias em que Ele, vendo que precisamos crescer, nos chama. Como fez com Abrão, faz também comigo e com você, caro leitor.
O Senhor diz: sai do lugar do seu conforto, do seu mundo conhecido, e vai para um lugar que eu te mostrarei. Esse convite desestabiliza. Como Pai amoroso, Ele tira nosso apoio para que possamos nos mover.
O resultado do convite feito à Abrão se traduz em verbo, em ação. Nos versos seguintes no capítulo 12 de Genesis diz-se que Abrão partiu, saiu, moveu-se.
Em meio à sua peregrinação, Abrão aprende que seu único lugar de apego deve ser o altar edificado ao Senhor. Ele edifica altares ao Senhor, e invoca o Seu Nome. Destituído de seus lugares de apoio, Abrão clama pelo Pai, o que o gerou.
Hoje, pela manhã, cinco horas. Pressinto um tempo de desapegar-me. Precisarei deixar meu cobertorzinho, meu ursinho de pelúcia, minha chupeta. Meu Pai está me chamando para crescer. Ele me estende as mãos, olha para mim, e me diz para ir a Ele, confiante.
Eu, criança maravilhada pela presença do Pai, deixo cair o objeto. E vou, em direção a Ele, pela fé. Meu andar não tem a segurança dos que já cresceram. Mas estou bem certa de que Ele virá a mim se eu der os primeiros passos. Por isso, edifico um altar, e invoco o Seu Nome:
- Pai, paizinho, toma-me pela mão e guia-me pelos caminhos que ainda não vi, mas que tu já conheces. Irei contigo, porque confio em Ti.
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sábado, 14 de maio de 2011
Familia e a Formação da Identidade - Aprendendo com o Patinho Feio
A fábula de Hans Cristian Andersen, o Patinho Feio, nos coloca diante de questões que remetem à história familiar: o sonho do filho perfeito, a ansiedade da espera, o reconhecimento e a legitimação do olhar da mãe sobre a identidade e o lugar de um filho na familia. A ferida narcísica, o enfrentamento do casal diante do filho problema, o esforço da mãe para adequá-lo e o consequente abandono frente à pressão social que se faz em torno da diferença apontada pela aparência do patinho. Como diz o ditado: Filho feio não tem mãe.
Daí, partimos para uma viagem em busca da identidade daquele que foi rejeitado. Aventurando-se pelas mais diversas tribos, vai o patinho feio em sua busca de saber de si.Adere a outros grupos, e é sempre inadequado. Finalmente, para sua sorte e salvação, encontra um grupo de semelhantes generoso o suficiente para acolhê-lo e ampará-lo em seu crescimento e devir.
O relato bíblico nos traz, na cosmogonia judaico-cristã, o que se segue:
“ Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra.
Assim Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.
Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra, e sujeitai-a”. (Gn 1:27-28)
No livro dos começos, o Genesis, nos é dado conhecer como Deus criou nosso planeta e tudo o que nele existe. Podemos aprender sobre o sonho de Deus para sua criação, e como tudo foi sendo feito e nomeado por Ele. Homem e Mulher, disse Ele, feitos à sua imagem e semelhança.
Vai dentro de nós, não uma programação rígida, inequívoca, mas um mapa. Mapa onde podemos encontrar a marca referencial de quem somos, e a nossa direção.
Deus criou homem e mulher, disse para se unirem, crescerem,frutificarem. Deu a esta entidade casal o poder de, com Ele, gerar uma família. E deu ao par fundamental a tarefa de perpetuar a base para formação da identidade daqueles que viriam depois.
Para tanto, os abençoou, a partir de um lugar de poder e autoridade. Esta autoridade, foi, pela bênção do Supremo Criador, repassada ao primeiro homem. Diz a Bíblia: "Macho e fêmea os criou; e os abençoou, e chamou o seu nome Adão, no dia em que foram criados. E Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme à sua imagem, e chamou o seu nome Sete." (Gn 5:2-3)
Deus dá nome a Adão. Adão dá nome a Sete. E vamos ao longo de milênios nomeando nossos filhos. Com os nomes, imprimimos neles também nosso legado, a herança que passamos adiante. A identidade de um filho começa a ser forjada naquilo que ele é falado e se legitima no seio da família.
Um bebê que chega é falado, antes que fale. É nomeado, tem lugar na casa. Ou não. O não reconhecimento do filho, a não legitimação da sua individualidade, pode reproduzir a história do patinho feio, condenado a andar por aí perguntando, afinal, quem ele é.
Há uma ordem que nos torna capazes de nomear nossos filhos. Esta parte do fato de termos nós mesmos recebido um nome, e sermos reconhecidos por ele, e nos reconhecermos nele.Na medida em que nos integramos ao nosso nome e sobrenome, tomamos o nosso lugar na história.
Podemos então, de um lugar reconhecido, seguro, frutificar e nomear. Nossos filhos poderão reconhecer em nós a segurança dos nomes que recebem, e, confiantes, partirem para sua jornada, não mais em busca de perguntarem a todos quem são, mas de re-significarem o nome e o legado que receberam de nós.
Eu Sou o que Sou, diz o Senhor Deus. Ele Se nomeia, com segurança. Olhando para Ele, podemos seguir confiantes e criativos a nossa trajetória.
Não, nós não somos pequenos deuses. Mas como Seus filhos, podemos olhar para Ele e prosseguirmos adiante. Assim, façamos à semelhança Dele. Nossos filhos não são a reprodução de nós mesmos. Mas devem poder olhar para nós, à medida em que constroem seus próprios caminhos, com a segurança de que a imagem e o legado que transmitimos, seguirão com eles para sempre.
A história do Patinho Feio poderia ter sido diferente. Talvez ele tivesse sido um filho muito interessante naquela família de patos. Na convivencia com ele, seus pais e irmãos poderiam ter aprendido coisas que não sabiam... Talvez ele pudesse ter sido chamado por outro nome, menos depreciativo. Mas essa não seria a mesma história... Quem quiser, que conte outra!
Daí, partimos para uma viagem em busca da identidade daquele que foi rejeitado. Aventurando-se pelas mais diversas tribos, vai o patinho feio em sua busca de saber de si.Adere a outros grupos, e é sempre inadequado. Finalmente, para sua sorte e salvação, encontra um grupo de semelhantes generoso o suficiente para acolhê-lo e ampará-lo em seu crescimento e devir.
O relato bíblico nos traz, na cosmogonia judaico-cristã, o que se segue:
“ Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra.
Assim Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.
Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra, e sujeitai-a”. (Gn 1:27-28)
No livro dos começos, o Genesis, nos é dado conhecer como Deus criou nosso planeta e tudo o que nele existe. Podemos aprender sobre o sonho de Deus para sua criação, e como tudo foi sendo feito e nomeado por Ele. Homem e Mulher, disse Ele, feitos à sua imagem e semelhança.
Vai dentro de nós, não uma programação rígida, inequívoca, mas um mapa. Mapa onde podemos encontrar a marca referencial de quem somos, e a nossa direção.
Deus criou homem e mulher, disse para se unirem, crescerem,frutificarem. Deu a esta entidade casal o poder de, com Ele, gerar uma família. E deu ao par fundamental a tarefa de perpetuar a base para formação da identidade daqueles que viriam depois.
Para tanto, os abençoou, a partir de um lugar de poder e autoridade. Esta autoridade, foi, pela bênção do Supremo Criador, repassada ao primeiro homem. Diz a Bíblia: "Macho e fêmea os criou; e os abençoou, e chamou o seu nome Adão, no dia em que foram criados. E Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme à sua imagem, e chamou o seu nome Sete." (Gn 5:2-3)
Deus dá nome a Adão. Adão dá nome a Sete. E vamos ao longo de milênios nomeando nossos filhos. Com os nomes, imprimimos neles também nosso legado, a herança que passamos adiante. A identidade de um filho começa a ser forjada naquilo que ele é falado e se legitima no seio da família.
Um bebê que chega é falado, antes que fale. É nomeado, tem lugar na casa. Ou não. O não reconhecimento do filho, a não legitimação da sua individualidade, pode reproduzir a história do patinho feio, condenado a andar por aí perguntando, afinal, quem ele é.
Há uma ordem que nos torna capazes de nomear nossos filhos. Esta parte do fato de termos nós mesmos recebido um nome, e sermos reconhecidos por ele, e nos reconhecermos nele.Na medida em que nos integramos ao nosso nome e sobrenome, tomamos o nosso lugar na história.
Podemos então, de um lugar reconhecido, seguro, frutificar e nomear. Nossos filhos poderão reconhecer em nós a segurança dos nomes que recebem, e, confiantes, partirem para sua jornada, não mais em busca de perguntarem a todos quem são, mas de re-significarem o nome e o legado que receberam de nós.
Eu Sou o que Sou, diz o Senhor Deus. Ele Se nomeia, com segurança. Olhando para Ele, podemos seguir confiantes e criativos a nossa trajetória.
Não, nós não somos pequenos deuses. Mas como Seus filhos, podemos olhar para Ele e prosseguirmos adiante. Assim, façamos à semelhança Dele. Nossos filhos não são a reprodução de nós mesmos. Mas devem poder olhar para nós, à medida em que constroem seus próprios caminhos, com a segurança de que a imagem e o legado que transmitimos, seguirão com eles para sempre.
A história do Patinho Feio poderia ter sido diferente. Talvez ele tivesse sido um filho muito interessante naquela família de patos. Na convivencia com ele, seus pais e irmãos poderiam ter aprendido coisas que não sabiam... Talvez ele pudesse ter sido chamado por outro nome, menos depreciativo. Mas essa não seria a mesma história... Quem quiser, que conte outra!
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quarta-feira, 13 de abril de 2011
sexta-feira, 1 de abril de 2011
PAI, MÃE, CONSOLADOR

- Aiiii! Manhêêê!!!
A mãe larga o almoço no fogo e sai correndo em busca da filha:
- O que foi dessa vez menina?
- Mãe, cortei meu dedo, olha! - E lá vem a menina segurando o dedo mindinho como se fosse cair da mão.
A mãe examina com cuidado e lupa o cortezinho minúsculo que nem sequer está sangrando. Sopra, dá um beijinho, afaga a cabeça da menina de 9 anos, que agora está crescendo muito e vive trombando nas paredes e portas. A menina sai correndo – reconhecida em sua dor – e já nem se lembra mais o porque de tanto grito!
As mães são assim: consoladoras. Quando nos machucamos, cá estão elas, prontas para lavar o machucado: - Vai doer, mas tem que lavar, senão infecciona. O coração delas arde enquanto, fingindo calma, parecem não ligar para nossa dor.
O coração delas queima quando não temos amigos na escola, quando fracassamos na prova de geografia, quando, na adolescência, ensaiamos nossos primeiros passos nas pistas do amor... E pode mesmo se rasgar quando num belo almoço de domingo entramos em casa com um príncipe encantado . Em seu olhar maternal, antevêem o Sapo, e todos os sapos que provavelmente nos ajudarão a engolir enquanto trocam as fronhas de nossos travesseiros encharcados .
As mães não dormem. Por causa do choro do bebê, por causa da pesquisa de escola, ou aguardando nas madrugadas a chegada do filho pródigo. E quando ele chega, podem até mesmo fingir alguma indiferença para afinal não deixá-los pensarem-se assim tão importantes.
Descanso de mãe madura? Cuidar dos netos! E dá-lhe menino pulando e subindo, e televisão, e chocolate, e mexida na cozinha... Assim são as mães da minha memória.
Dia desses acordei pensando nisto, e talvez por ver já próximo o dia das mães, tive um daqueles pensamentos malucos que de repente acendem uma luzinha na cabeça: NÃO É QUE O DEUS QUE CONHEÇO SE PARECE MUITÍSSIMO COM UMA MÃE? DEUS É MÃE!!!! AHNN??? DEUS É MÃE?
Espantada com o que sou capaz de pensar, corro para a Bíblia para fugir desta heresia, e encontro assim:
“Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo de suas asas, mas vocês não quiseram.” (Mateus 23:37)
“Pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti”. (Isaias 49:15)
“Não é Efraim para mim um filho precioso, criança das minhas delícias? Porque depois que falo contra ele, ainda me lembro dele solicitamente; por isso me comovem por ele as minhas entranhas; deveras me compadecerei dele, diz o Senhor”.(Jr 31:20)
Quanta ternura de mãe nestas palavras. Deus é Deus. É Pai, é Filho e é Espírito Santo. Mas um de seus nomes, El Shaday, nos convida a adorá-lo em sua face de Todo-Poderoso, e também daquele que nutre, que amamenta. Em hebraico: El=Deus, Shadd= seios. A terra prometida para onde Israel é conduzido por Ele, é terra que mana leite e mel.
O seio é o primeiro objeto que a criança busca no corpo da mãe. Ele garante a vida, a sobrevivência, mas também o prazer e o aconchego. Assim é El Shaday: Aquele que é Todo-Poderoso, completo, que nutre, que cobre com suas asas, como vemos no Salmo 91.
É por isto que no mês da mães, usufruindo da presença do Deus que é Pai e também mãe, nutridor e consolador, posso dizer, com o salmista:
“Senhor, o meu coração não é soberbo
nem os meus olhos são altivos;
não me ocupo de assuntos grandes e maravilhosos demais para mim.
Pelo contrário, tenho feito acalmar e sossegar a minha alma;
qual criança desmamada sobre o seio de sua mãe,
qual criança desmamada está a minha alma para comigo.
Espera, ó Israel, no Senhor, desde agora e para sempre.” (Salmo 131)
quarta-feira, 23 de março de 2011
EU SOU DO MEU AMADO E O MEU AMADO É MEU
“Ouço a voz do meu amado; ei-lo que vem saltando sobre os montes, pulando sobre os outeiros. O meu amado é semelhante ao gamo, ou ao filho da gazela.
Olhai, ele está detrás da nossa parede, olhando pelas janelas, lançando os olhos pelas grades.
O meu amado fala e me diz:
Levanta-te amada minha, e vem. Vê! Já passou o inverno; e as chuvas já cessaram, e se foram. Aparecem as flores na terra; o tempo de cantar chegou, e a voz das rolas ouve-se em nossa terra. A figueira já deu os seus figos, e as vides em flor exalam o seu aroma.
Levanta-te amada minha, formosa minha e vem.
Pomba minha, que andas pelas fendas das penhas, no oculto das ladeiras, mostra-me a tua face, faze-me ouvir a tua voz, pois a tua voz é doce, e o teu rosto formoso.
Apanhai-me as raposinhas, que fazem mal às vinhas, as nossas vinhas que estão em flor.
O meu amado é meu, e eu sou dele.” (Ct: 2: 8-16 a)
Que doce é a voz do meu amado! Pode ser como a voz de muitas águas, ou um sussurro que somente eu consigo ouvir. Semelhante ao grito dos apaixonados, que escrevem os nomes de suas amadas nas pedras, em faixas e gritam o seu amor em praça pública, ou aos bilhetes secretos e cartas de amor seladas.
Que delícia é o seu convite: - Vem querida minha e vê, existem flores, é tempo de cantar, os aromas são suaves e o meu jardim te espera em perfume e flor. Vem comer comigo os figos, e as uvas que tenho plantado para ti!
O meu amado quer me ver, ele ama o meu rosto e a minha voz. O meu amado não se cansa de ver a minha face. O meu amado quer ouvir a minha voz, ah! Ele diz que favos de mel manam dos meus lábios! Doce é para Ele ouvir as palavras de amor que fluem da minha boca.
O meu amado desceu aos seus jardins, para se alimentar e para colher os lírios. Os jardins do meu amado são a Terra inteira, a Terra é o estrado dos seus pés. Os lírios são flores preciosas, semelhantes ao Lírio dos Vales... eu sou como o lírio, semelhante a Ele. Ele saiu do Seu trono, e desceu aos Seus jardins, para colher-me, e levar-me com Ele.
O Nome do meu amado é como ungüento derramado. Ele não mediu esforços para vir ter comigo. Comprou para mim vida abundante e eterna, com preço mais alto que todo ouro e prata do mundo. O meu amado me comprou com o seu próprio sangue, que derramou publicamente, por mim. Escreveu com o seu sangue o meu nome, e gravou sua carta de amor em meu coração.
Chamou-me jardim fechado e fonte selada. Assim me guardou, para que eu fosse fonte dos jardins, poço das águas vivas.
Eu sou do meu amado, e Ele me tem afeição. Assim Ele descreve o Seu amor:
“As muitas águas não poderiam apagar este amor, nem os rios afogá-lo. Ainda que alguém desse todos os bens da sua casa por este amor, seria de todo desprezado. “
O amor com que Ele me ama é perene e indestrutível. E Ele me convida a aceitar sua aliança, como sinal de que sou Dele:
“Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço.”
O meu amado é fiel, a sua fidelidade e o seu amor jamais serão destruídos. Ainda que eu tentasse me esconder dEle, Ele me veria, pois Ele é aquele que olha por detrás de minhas paredes, pelas grades que construí ao longo da vida. Ele me sempre vê. Ele espera por mim a cada manhã, para que nos Seus jardins eu dê a Ele o meu amor.
Você já descobriu, quem é o meu amado?
O Seu nome é Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz.
O nome do meu amado é JESUS DE NAZARÉ.
(Trechos bíblicos extraídos do Livro de Cantares)
Olhai, ele está detrás da nossa parede, olhando pelas janelas, lançando os olhos pelas grades.
O meu amado fala e me diz:
Levanta-te amada minha, e vem. Vê! Já passou o inverno; e as chuvas já cessaram, e se foram. Aparecem as flores na terra; o tempo de cantar chegou, e a voz das rolas ouve-se em nossa terra. A figueira já deu os seus figos, e as vides em flor exalam o seu aroma.
Levanta-te amada minha, formosa minha e vem.
Pomba minha, que andas pelas fendas das penhas, no oculto das ladeiras, mostra-me a tua face, faze-me ouvir a tua voz, pois a tua voz é doce, e o teu rosto formoso.
Apanhai-me as raposinhas, que fazem mal às vinhas, as nossas vinhas que estão em flor.
O meu amado é meu, e eu sou dele.” (Ct: 2: 8-16 a)
Que doce é a voz do meu amado! Pode ser como a voz de muitas águas, ou um sussurro que somente eu consigo ouvir. Semelhante ao grito dos apaixonados, que escrevem os nomes de suas amadas nas pedras, em faixas e gritam o seu amor em praça pública, ou aos bilhetes secretos e cartas de amor seladas.
Que delícia é o seu convite: - Vem querida minha e vê, existem flores, é tempo de cantar, os aromas são suaves e o meu jardim te espera em perfume e flor. Vem comer comigo os figos, e as uvas que tenho plantado para ti!
O meu amado quer me ver, ele ama o meu rosto e a minha voz. O meu amado não se cansa de ver a minha face. O meu amado quer ouvir a minha voz, ah! Ele diz que favos de mel manam dos meus lábios! Doce é para Ele ouvir as palavras de amor que fluem da minha boca.
O meu amado desceu aos seus jardins, para se alimentar e para colher os lírios. Os jardins do meu amado são a Terra inteira, a Terra é o estrado dos seus pés. Os lírios são flores preciosas, semelhantes ao Lírio dos Vales... eu sou como o lírio, semelhante a Ele. Ele saiu do Seu trono, e desceu aos Seus jardins, para colher-me, e levar-me com Ele.
O Nome do meu amado é como ungüento derramado. Ele não mediu esforços para vir ter comigo. Comprou para mim vida abundante e eterna, com preço mais alto que todo ouro e prata do mundo. O meu amado me comprou com o seu próprio sangue, que derramou publicamente, por mim. Escreveu com o seu sangue o meu nome, e gravou sua carta de amor em meu coração.
Chamou-me jardim fechado e fonte selada. Assim me guardou, para que eu fosse fonte dos jardins, poço das águas vivas.
Eu sou do meu amado, e Ele me tem afeição. Assim Ele descreve o Seu amor:
“As muitas águas não poderiam apagar este amor, nem os rios afogá-lo. Ainda que alguém desse todos os bens da sua casa por este amor, seria de todo desprezado. “
O amor com que Ele me ama é perene e indestrutível. E Ele me convida a aceitar sua aliança, como sinal de que sou Dele:
“Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço.”
O meu amado é fiel, a sua fidelidade e o seu amor jamais serão destruídos. Ainda que eu tentasse me esconder dEle, Ele me veria, pois Ele é aquele que olha por detrás de minhas paredes, pelas grades que construí ao longo da vida. Ele me sempre vê. Ele espera por mim a cada manhã, para que nos Seus jardins eu dê a Ele o meu amor.
Você já descobriu, quem é o meu amado?
O Seu nome é Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz.
O nome do meu amado é JESUS DE NAZARÉ.
(Trechos bíblicos extraídos do Livro de Cantares)
sábado, 12 de fevereiro de 2011
´Pérolas
Pérola de José Saramago:
"Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu fizeram-no de carne e sangra todo dia."
(José Saramago)
"Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu fizeram-no de carne e sangra todo dia."
(José Saramago)
Reconciliados para ministrar a Reconciliação
Quem já provou o sabor doce-úmido do caqui? E o cheiro adocicado do manacá? E a brisa do mar na virada do dia?
Como descrever, em palavras, sensações tão particulares? Seria possível a alguém que nunca tenha provado uma jabuticaba, descrevê-la –“ ploct-pluft “- do delicioso explodir da fruta na boca, até o cuspir do caroço?
Nosso Mestre nos dizia, em Lucas 6:
"Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois no buraco?
O discípulo não está acima do seu mestre, mas todo aquele que for bem preparado será como o seu mestre.
"Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?
Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Irmão, deixe-me tirar o cisco do seu olho’, se você mesmo não consegue ver a viga que está em seu próprio olho? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão".
"Nenhuma árvore boa dá fruto ruim, nenhuma árvore ruim dá fruto bom.
Toda árvore é reconhecida por seus frutos. Ninguém colhe figos de espinheiros, nem uvas de ervas daninhas.
O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração".
Somos chamados à reconciliação. Reconciliarmo-nos com o Senhor, para então ministrarmos a reconciliação. No caminho, no correr dos dias, vão se acumulando poeira e cisco em nossos olhos. Mas prosseguimos, entendendo que não há tempo, a messe é grande, são poucos os trabalhadores. Precisamos prosseguir, muitas vezes sem separarmos tempo de lavar os nossos olhos.
Saímos então anunciando uma palavra: Evangelho – Boas Novas. A boa notícia de que em Jesus, não mais pelas nossas obras, mas por Sua misericórdia, somos reconciliados com Deus. A notícia de que nEle nossos pecados são, definitivamente, perdoados.
Anunciamos o Evangelho, enquanto caminhamos pesados, arrastando nosso fardo recheado de culpas, pecados não confessados, questões que deixamos pra depois. A dura realidade sobre nós mesmos permanece encoberta, enquanto nos ocupamos do ideal que o Evangelho traz para a vida do outro.
- Não, não para a minha vida. Eu sei que os caquis podem ser deliciosos, mas não para mim. Afinal, poderia deliciar-me com eles. E isto não combina com meu fardo.
Fardo que o Mestre convida a lançar sobre Ele, mas que já é tão meu... afinal, são as minhas velhas e conhecidas dores, aqueles medos tão familiares, o pecado que repito e tão de perto me acompanha...
Ah! Quanto perdemos! Oferecemos à multidão uma mesa farta, da qual nos abstemos de comer: a mesa da reconciliação. Como seria bom se pudéssemos, realmente, crer que o convite do Senhor é para nós também. Um convite para lançarmos sobre Ele toda dor, toda inconstância, toda impotência, toda humanidade.
Ele não nos convida a nos tornarmos SUPER. Ele nos convida a sermos humildes e necessitados da Sua Graça. Ele nos convida a provarmos a mesa farta que Ele mesmo preparou, por causa do seu AMOR.
Vejamos o que o Mestre nos ensina em Mateus 22:
"O Reino dos céus é como um rei que preparou um banquete de casamento para seu filho.
Enviou seus servos aos que tinham sido convidados para o banquete, dizendo-lhes que viessem; mas eles não quiseram vir.
"De novo enviou outros servos e disse: ‘Digam aos que foram convidados que preparei meu banquete: meus bois e meus novilhos gordos foram abatidos, e tudo está preparado. Venham para o banquete de casamento! ’
"Mas eles não lhes deram atenção e saíram, um para o seu campo, outro para os seus negócios.”
O banquete está posto. Mas nós ainda pensamos que precisamos merecer estar lá. E saímos a trabalhar. O Rei descreve o seu banquete e convida: O tempo da reconciliação é chegado.
Como poderemos convidar alguém para a festa, se nem ao menos conhecemos o anfitrião? Como poderemos descrever as maravilhas da sua comida e bebida, se nos privamos deste encontro?
Somos chamados a ministrar as novas da reconciliação, da aliança refeita. Isto exige de nós, antes, experimentá-la.
Experimente lançar o seu fardo aos pés do Mestre. Experimente desapegar-se de culpas e dores, e confiantemente entregá-las. Ele virá com um banquete, tomando o lugar que lhe cabe. Ele virá até você, para curar o que você julga incurável, para tratar o que você julga perdido, para sarar o que você sabe doente.
As nossas limitações não são maiores do que o Senhor. Ele nos convida a olharmos para dentro, através da Luz que Ele mesmo é, com compaixão, misericórdia, e amor.
Aí então, tendo provado das delícias da reconciliação, poderemos dizer: Eu era cego, e agora vejo, eu era morto, e agora vivo!
Como descrever, em palavras, sensações tão particulares? Seria possível a alguém que nunca tenha provado uma jabuticaba, descrevê-la –“ ploct-pluft “- do delicioso explodir da fruta na boca, até o cuspir do caroço?
Nosso Mestre nos dizia, em Lucas 6:
"Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois no buraco?
O discípulo não está acima do seu mestre, mas todo aquele que for bem preparado será como o seu mestre.
"Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?
Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Irmão, deixe-me tirar o cisco do seu olho’, se você mesmo não consegue ver a viga que está em seu próprio olho? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão".
"Nenhuma árvore boa dá fruto ruim, nenhuma árvore ruim dá fruto bom.
Toda árvore é reconhecida por seus frutos. Ninguém colhe figos de espinheiros, nem uvas de ervas daninhas.
O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração".
Somos chamados à reconciliação. Reconciliarmo-nos com o Senhor, para então ministrarmos a reconciliação. No caminho, no correr dos dias, vão se acumulando poeira e cisco em nossos olhos. Mas prosseguimos, entendendo que não há tempo, a messe é grande, são poucos os trabalhadores. Precisamos prosseguir, muitas vezes sem separarmos tempo de lavar os nossos olhos.
Saímos então anunciando uma palavra: Evangelho – Boas Novas. A boa notícia de que em Jesus, não mais pelas nossas obras, mas por Sua misericórdia, somos reconciliados com Deus. A notícia de que nEle nossos pecados são, definitivamente, perdoados.
Anunciamos o Evangelho, enquanto caminhamos pesados, arrastando nosso fardo recheado de culpas, pecados não confessados, questões que deixamos pra depois. A dura realidade sobre nós mesmos permanece encoberta, enquanto nos ocupamos do ideal que o Evangelho traz para a vida do outro.
- Não, não para a minha vida. Eu sei que os caquis podem ser deliciosos, mas não para mim. Afinal, poderia deliciar-me com eles. E isto não combina com meu fardo.
Fardo que o Mestre convida a lançar sobre Ele, mas que já é tão meu... afinal, são as minhas velhas e conhecidas dores, aqueles medos tão familiares, o pecado que repito e tão de perto me acompanha...
Ah! Quanto perdemos! Oferecemos à multidão uma mesa farta, da qual nos abstemos de comer: a mesa da reconciliação. Como seria bom se pudéssemos, realmente, crer que o convite do Senhor é para nós também. Um convite para lançarmos sobre Ele toda dor, toda inconstância, toda impotência, toda humanidade.
Ele não nos convida a nos tornarmos SUPER. Ele nos convida a sermos humildes e necessitados da Sua Graça. Ele nos convida a provarmos a mesa farta que Ele mesmo preparou, por causa do seu AMOR.
Vejamos o que o Mestre nos ensina em Mateus 22:
"O Reino dos céus é como um rei que preparou um banquete de casamento para seu filho.
Enviou seus servos aos que tinham sido convidados para o banquete, dizendo-lhes que viessem; mas eles não quiseram vir.
"De novo enviou outros servos e disse: ‘Digam aos que foram convidados que preparei meu banquete: meus bois e meus novilhos gordos foram abatidos, e tudo está preparado. Venham para o banquete de casamento! ’
"Mas eles não lhes deram atenção e saíram, um para o seu campo, outro para os seus negócios.”
O banquete está posto. Mas nós ainda pensamos que precisamos merecer estar lá. E saímos a trabalhar. O Rei descreve o seu banquete e convida: O tempo da reconciliação é chegado.
Como poderemos convidar alguém para a festa, se nem ao menos conhecemos o anfitrião? Como poderemos descrever as maravilhas da sua comida e bebida, se nos privamos deste encontro?
Somos chamados a ministrar as novas da reconciliação, da aliança refeita. Isto exige de nós, antes, experimentá-la.
Experimente lançar o seu fardo aos pés do Mestre. Experimente desapegar-se de culpas e dores, e confiantemente entregá-las. Ele virá com um banquete, tomando o lugar que lhe cabe. Ele virá até você, para curar o que você julga incurável, para tratar o que você julga perdido, para sarar o que você sabe doente.
As nossas limitações não são maiores do que o Senhor. Ele nos convida a olharmos para dentro, através da Luz que Ele mesmo é, com compaixão, misericórdia, e amor.
Aí então, tendo provado das delícias da reconciliação, poderemos dizer: Eu era cego, e agora vejo, eu era morto, e agora vivo!
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
O Nascimento de um Rei
“E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino. Vendo eles a estrela, alegraram-se imensamente. Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe e, prostrando-se, o adoraram. Então, abrindo os seus tesouros, lhe apresentaram suas dádivas: ouro, incenso e mirra.” (Mt 2:9-11)
Luzes brilham nas casas, nas praças, nas ruas. Em lojas ouve-se o barulho eletrônico de sininhos tocando, anunciando. Entra ano, sai ano, comemoramos o Natal. Data eleita para que o mundo se lembre de que, em Belém, há cerca de 2010 anos, nasceu um Menino.
Mas não era qualquer menino. Seu nascimento foi anunciado por anjos e profetas. Até os luminares, que por Ele e para Ele foram feitos, se moveram para mostrar o local, humilde e pobre, onde escolheu nascer no meio de nós.
Os magos do Oriente reconheceram a sua estrela, e vieram em busca dEle, adorá-Lo. Diante dEle, abriram os seus tesouros, e lhe apresentaram suas dádivas. Tesouros abertos diante do Rei. Um Rei nascido com aparência humilde, para nos ensinar que riquezas deste mundo são nada ante o brilho maravilhoso das estrelas colocadas no céu.
Agora, em dezembro, tocamos sinos. Convidamos pessoas, cantamos nas praças, damo-nos presentes, para, quem sabe, reverenciarmos em nosso irmão Aquele que veio por nós.
Neste Natal, possamos nos prostrar diante Dele. Possamos, verdadeiramente, adorá-Lo. Lembremo-nos Dele, não como lenda, mas como alguém que ainda hoje, vive.
Sim, Jesus Cristo nasceu e vive ainda. Ele está no meio de nós. Nos passos dos necessitados, podemos encontrá-lo clamando por amor, por justiça, por mansidão.
Ele está no meio de nós. Como estrela a nos mostrar ainda que há um Caminho, uma Verdade, uma Vida.
Ele está no meio de nós. Não nos pede presentes, mas o que está em nossos tesouros: “Pois onde estiver o vosso tesouro, aí também estará o vosso coração.”(Lc 12:34)
Ao som dos sinos, deixemo-nos tocar por Ele. Na direção das luzes, deixemo-nos guiar por Ele. E, diante Dele, abramos nossos tesouros para entregar-Lhe, inteiramente, os nossos corações.
“O povo que andava em trevas, viu uma grande luz; sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz.
Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o principado está sobre os seus ombros, e o seu nome será: MARAVILHOSO, CONSELHEIRO, DEUS FORTE, PAI DA ETERNIDADE, PRINCIPE DA PAZ.
Do aumento do seu governo e paz não haverá fim. Reinará sobre o trono de Davi e sobre seu reino, para o estabelecer e o fortificar em retidão e justiça, desde agora e para sempre.” (Is 9:2;6-7)
Luzes brilham nas casas, nas praças, nas ruas. Em lojas ouve-se o barulho eletrônico de sininhos tocando, anunciando. Entra ano, sai ano, comemoramos o Natal. Data eleita para que o mundo se lembre de que, em Belém, há cerca de 2010 anos, nasceu um Menino.
Mas não era qualquer menino. Seu nascimento foi anunciado por anjos e profetas. Até os luminares, que por Ele e para Ele foram feitos, se moveram para mostrar o local, humilde e pobre, onde escolheu nascer no meio de nós.
Os magos do Oriente reconheceram a sua estrela, e vieram em busca dEle, adorá-Lo. Diante dEle, abriram os seus tesouros, e lhe apresentaram suas dádivas. Tesouros abertos diante do Rei. Um Rei nascido com aparência humilde, para nos ensinar que riquezas deste mundo são nada ante o brilho maravilhoso das estrelas colocadas no céu.
Agora, em dezembro, tocamos sinos. Convidamos pessoas, cantamos nas praças, damo-nos presentes, para, quem sabe, reverenciarmos em nosso irmão Aquele que veio por nós.
Neste Natal, possamos nos prostrar diante Dele. Possamos, verdadeiramente, adorá-Lo. Lembremo-nos Dele, não como lenda, mas como alguém que ainda hoje, vive.
Sim, Jesus Cristo nasceu e vive ainda. Ele está no meio de nós. Nos passos dos necessitados, podemos encontrá-lo clamando por amor, por justiça, por mansidão.
Ele está no meio de nós. Como estrela a nos mostrar ainda que há um Caminho, uma Verdade, uma Vida.
Ele está no meio de nós. Não nos pede presentes, mas o que está em nossos tesouros: “Pois onde estiver o vosso tesouro, aí também estará o vosso coração.”(Lc 12:34)
Ao som dos sinos, deixemo-nos tocar por Ele. Na direção das luzes, deixemo-nos guiar por Ele. E, diante Dele, abramos nossos tesouros para entregar-Lhe, inteiramente, os nossos corações.
“O povo que andava em trevas, viu uma grande luz; sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz.
Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o principado está sobre os seus ombros, e o seu nome será: MARAVILHOSO, CONSELHEIRO, DEUS FORTE, PAI DA ETERNIDADE, PRINCIPE DA PAZ.
Do aumento do seu governo e paz não haverá fim. Reinará sobre o trono de Davi e sobre seu reino, para o estabelecer e o fortificar em retidão e justiça, desde agora e para sempre.” (Is 9:2;6-7)
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